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Créditos







Folclore e Afolcloração nas danças orientais

Vamos lá:

primeiro vamos diferenciar folclore de "afolcloração" e separar as possibilidades de criação em uma e outra:



1) Folclore: Conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções. (tá no Seu
Aurélio, hein?)



Ou seja, uma dança folclórica é realizada dentro de uma comunidade, faz parte da região, é de conhecimento popular.



A dança que conhecemos como Melleah Laf, a Dança do Jarro, a Dança das Flores, por exemplo, como as realizamos na dança do ventre, não fazem parte dessas tradições populares, não são dançadas pelos povos orientais. Diferente do Tahtib, do Arjã (ou alarj), da Hagalla, da Siwa, do Khaleege, da Naisha, do Dabke, que são conhecidas, executadas e foram criadas pelos povos orientais.



Ainda poderia falar da Guedra e do Zaar, mas essas são danças mais específicas e, embora possam ser consideradas folclóricas por fazerem parte das tradições e crenças populares, elas tem um cunho religioso/ritualístico/espiritual que as coloca em um estágio diferenciado - o que seria melhor debatido separadamente.



Como "criar" ao dançar uma dança folclórica? Simples: conhecendo o repertório de movimentos, varia-se no uso dos passos, a música etc. Não dá pra fugir muito do "padrão" para não descaracterizar a dança.



No caso da dança "afolclorada", essa é 100% inspiração. Por isso, não há mal nenhum em adicionar elementos novos a ela, desde que, claro, esses elementos remetam à cultura em que esta se "insere".

 
No caso da Meleah Laf, a dança é uma representação do estilo das Bint El Baladi, que vai desde o modo de se vestir, aos trejeitos dessas mulheres. Portanto, se uma bailarina representando essa dança se aproximar do público, fumar arguille, fazer uma gracinha com alguém, cantar, mascar goma, entrar de sapato e tira-lo no meio da dança de forma despojada, nada disso pode ser considerado errado. Agora, se ela acender um cigarro, atender o celular ou se abanar com um leque espanhol, já podemos dizer que fugiu ao contexto, não é mesmo? rsrsrs É tudo uma questão de fazer uma boa observação dos costumes regionais e adapta-los à dança, com bom senso e estudo!


A Dança do Jarro é representada de várias formas. Já vi danças com jarro muito alegres: mulheres em grupo representando, com irreverência, uma brincadeira entre mulheres na beira do rio...umas "jogam água" nas outras, fofocam, carregam seus jarros na cabeça enquanto passeiam. Já vi a Dança com Jarro totalmente ao contrário: representando essas mulheres em sua rotina de buscar água no rio de maneira mais sofrida, com uma música mais densa, movimentos mais sinuosos. Vi também a Dança do Jarro sensual, onde a dançarina representava um banho no rio e o jarro servia para recolher a agua, jogar pelo corpo...representações diferentes. Qual a certa? Qual a errada? Não temos como definir isso. Eu acho que todas as formas são válidas.


A Dança das Flores tem uma peculiaridade. Reza a lenda que ela é uma representação das mulheres falahin, camponesas egípcias, que enquanto colhem as flores nas fazendas, cantam e dançam para passar o tempo. Isso é uma situação cotidiana que nós podemos representar por meio da dança. Mas normalmente na dança do ventre essa dança é realizada de outra maneira, com as bailarinas dançando com os cestos e depois distribuindo as flores ao público. Essa representação vem de uma outra dança, essa sim folclórica, que é a Dança das Flores de Janadryia, cidade na Arábia Saudita. Em Janadryia, eventos importantes eram precedidos de uma apresentação de dança, onde as dançarinas passeavam pelo público distribuindo flores, frutas e incensos aos presentes. Algo como a Hula Havaiana, uma dança de boas vindas, para trazer prosperidade e bons fluidos ao evento em questão.

A dança das colheres é uma dança REALMENTE folclórica turca. No Egito existe a Bambuteya (também folclórica). A diferença entre as duas é que a dança turca é realizada por homens ou mulheres, com colheres de madeira, que são tocadas quase como castanholas (duas colheres em cada mão). A Bambuteya é realizada apenas por homens, com colheres de metal, e são usadas somente 2 colheres, compartilhadas por ambas as mãos, onde as colheres são batidas também no corpo para tirar a sonoridade do "instrumento". Existe ainda uma dança das colheres realizada na África do Sul, dançada apenas por mulheres. Não sei definir ao certo se essa é uma dança folclórica, se há uma história por trás dessa dança ou se, um belo dia, uma mulher saiu da cozinha "batucando" suas colheres e a partir daí as outras a imitaram...rsrsrs Não há uma musica padrão, passos marcados, mas esse é um costume na região: nas festas, as mulheres pegam suas colheres e cantam e dançam enquanto acompanham as músicas, tocadas pelos homens.


Postado por: shaidehalim às 11h44
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A dança se diz de várias maneiras

texto de: Rousejanny Ferreira

 

Toda construção da dança parte de uma idéia, composta de ideologias e marcas histórico-culturais refletidas no corpo e na sociedade. A discussão deste ensaio parte da formação do corpo que dança e que a concebe a partir do balé no século XV até chegar ao que se propõe a dança do tempo recente. O corpo do balé quer além de mostrar o belo a partir dos ideais da Antiguidade, educar o nobre e formar condutas que se refletiam na maneira de lidar com o corpo e os gestos. Este “molde” permanece até a construção da dança moderna no início do século XX que quer formar um outro corpo oposto ao balé.

 

O uso do chão, das contrações e a busca de outras fontes de trabalho corporal formaram uma nova estética da dança, agora preocupada também em discutir a sociedade e seus conflitos. Podemos perceber que, até o momento a pesquisa em dança se propõe a duas linhas distintas: o balé que com sua escola constrói padrões corporais baseados na harmonia dos movimentos, formatado a partir das normas da elite e a dança moderna com a proposta de libertar o corpo do academicismo - mas ainda bebendo em suas fontes – introduzindo o improviso e o olhar para além da sala de dança, ou seja, reconhecer o que se passa no mundo.

 

Tanto no balé quanto na dança moderna, a carência de discussões e teóricos que trouxessem um olhar crítico para o que se estava construindo, tornou a literatura de dança muito mais um relato de experiências pessoais ou uma leitura romântica e intuitiva. Isto acarretou em algumas conseqüências para o que as outras linhas da arte como a música e a artes visuais conceituam como dança. A idéia de que ela é uma arte submissa à música, ou acreditar que as imagens de um quadro dançam, assim como tudo que se move no mundo, são fatos moldadores do pensamento de quem produz dança assim como do que outras artes pensam a seu respeito.

 

Logo na década de 60, o movimento Judson Dance Theater representou um importante passo na construção de novas maneiras de lidar com a dança. Se anteriormente a dança era ensinada por um maitrê, sem intervenção dos bailarinos ou, na dança moderna que partia da pesquisa do coreógrafo, neste momento a dança se fazia pela coletividade, com trocas de experiências como coreógrafo ou platéia, reflexões e intervenções que tratavam o corpo que se move e reconhece e pesquisa a dança no seu cotidiano.

 

Esta experiência foi de grande importância para o que se denomina hoje como dança contemporânea ou pós-moderna, pois abriu para mais uma maneira de compreender e compor a dança. Uma polêmica iniciada nesta época e que perdura até nossos dias é a questão do que vem a ser dança hoje depois de tantos olhares e conceitos dados a ela. Bem, dança é movimento ou mesmo sua negação, mas sempre imbricada de uma gestualidade que parte do corpo orgânico, vivo. É a partir disso que a dança contemporânea vai desenvolver seu repertório: a pesquisa contínua, o corpo aberto a novos elementos e uma dança que pode estar onde menos possa se imaginar. A dança pode se dizer desde uma simples composição do forró até as mais complexas ou requintadas coreografias de dança. O que importa é a poética, a singularidade de cada corpo, capaz de construir inúmeras maneiras de dizer e reconhecer-se na sua dança.



Postado por: shaidehalim às 11h45
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FLAMENCO - ESTUDOS

Não há como contar a história da dança flamenca sem acompanhar também a do cante jondo, com suas ascendências nas canções árabes, cantos rituais hebraicos, as influências dos cantes eclesiásticos, das músicas bizantinas, dos cantes populares marineiros e campesinos, além de muitas outras. O Flamenco é um lamento, uma forma de expressão de um grupo de oprimidos.



A palavra flamenco, que refere-se aos bailes e cantes da Andaluzia, tem sido relacionada com os flamengos, povos ciganos que chegaram à Espanha vindos de Flandres, ou com os camponeses nômades árabes (felag mengu). O que se sabe com certeza é que o flamenco é uma mistura de raças, culturas, religiões e costumes, com um grande apelo emocional, que relata o cotidiano e as relações sociais dos povos que o cultivaram.



As primeiras indicações históricas da existência do Flamenco datam de cerca de 1760. Seu surgimento foi na região de Andaluzia, no Sul da Espanha, em cidades como Sevilha e Cádiz. Dentro da cultura flamenca, há inúmeras formas de baile, que surgiram com a assimilação da cultura e da vida cotidiana dos povos que habitavam as regiões andaluzas, como:



Andaluz ou Tartésico - habitantes das cidades ao Sul da Espanha, estabelecidos principalmente na região do vale de Guadalquivir. São povos descendentes das dinastias egípcias, que viviam à margem do Nilo. De seus ancestrais herdaram à ligação ao mundo espiritual e à magia.


Árabes – durante o século VII, as invasões árabes levaram à Espanha dois povos de diferentes regiões e culturas: os procedentes da Ásia, região de Damasco (turcos – povos originalmente mongóis) e os bérberes (conhecidos por mouros), provenientes do norte da África. Ambos introduziram seus costumes, dança e música ao povo andaluz, e também influenciaram com as tradições religiosas de seus povos, as tradições maometanas, facilmente reconhecidas no cante flamenco.


Ciganos (Ghawazee) – também tem suas origens no Egito. As primeiras migrações que se têm indício são do ano de 1447. A Espanha foi uma das primeiras nações a ditar disposições coercitivas contra os povos ciganos, sendo que a primeira disposição legal foi ditada pelos reis católicos em Medina del Campo, no ano de 1499. Em 1528, novas disposições foram ditadas contra eles, referindo-se ao estilo de vida errante que levavam, porque não tinham ofício para o próprio sustento, viviam de esmolas e da venda de objetos de metal, "enganavam" as pessoas com o uso da magia, além do contrabando e furto. Como condenação à vadiagem, eram açoitados, presos e escravizados. Essa perseguição continuou até 1783, quando Carlos III lhes concedeu os mesmos privilégios dos demais habitantes. Ressaltamos que quando os ciganos se estabeleceram na Andaluzia passaram a exercer ofícios como ferreiros e comerciantes de roupas e utensílios.


Também encontra-se nastradições flamencas, em menor escala, influências dos povos hebreus e indianos. Vale lembrar que os ghawazee, denominados "ciganos egípcios", tem suas raízes na Índia e regiões adjacentes.



Veja abaixo alguns dos estilos de dança e cante flamenco:



Sevillanas – ritmo alegre e contagioso, originário da região de Sevilha, popular em toda aAndaluzia. Existem diversos subestilos dentro das danças sevilhanas: "boleras", "corraleras", "rocieras" etc. Sem dúvida é a dança flamenca mais popular em todo mundo. É dançada em pares, podendo ser compartilhada por homens, mulheres, crianças e idosos. Música e dança são divididas em quatro coplas, ou seja, quatro partes. Por serem muito populares, acabaram sofrendo muitas alterações, volta e meia surgindo novos estilos para esta modalidade, mas o compasso ternário da música sevilhana mantém-se intacto.



Soleares- A palavra "soleá" é uma abreviatura cigana de "soledad" (solidão), e soleares é uma pluralização imprópria de "soleá", também cigana. Esta dança é considerada a mais antiga dança flamenca. É nesta forma de baile que mais encontramos referências aos povos ciganos e suas influências na vida dos povos espanhóis.


Alegrías – esta forma de dança originou-se na região de Cádiz e é um desenvolvimento dos antigos soleares e jaleos. Os ritmos e a acentuação é a mesma do soleá, um pouco mais rápido, mais alegre, em contraposição ao ar melancólico dos soleares.



Bulerías - As bulerías ocupam uma posição especial no mundo flamenco, por serem formas de música e dança bastante flexíveis: sofrem constantes mudanças pois mantém-se abertas a isso, e são muito espontâneas e festivas. Suas origens estãor elacionadas aos soleares e alegrías. Há diversas formas de bulerías, e por sua grande variedade e contínuas alterações que vêm sofrendo, é uma das formas mais difíceis de dominar, pois é essencial ter muita graça e ritmo.



Farruca – Cádiz, como cidade portuária, era sempre visitada por diversas novas influências culturais. Acredita-se que a farruca seja um baile trazido à Espanha por estes visitantes. Seguindo esta teoria, alguns acreditam que a própria palavra farruca signifique "asturianos ou galegos recém-imigrados". Outra teoria diz
que o nome da dança significa valente, intrépido, que são definições que combinam com esta viril forma de baile, baseado no temperamento dos homens gitanos. Antigamente era executada apenas por homens, por ter um caráter mais viril, forte e impactante, mas hoje já é muito praticada por mulheres.



Siguiriyas - são as formas mais emotivas do baile e cante flamenco. A siguiriya é um lamento que conta o ódio destes povos perseguidos, da paixão pela liberdade, dos relatos de vidas miseráveis, sobretudo sendo um desabafo perante a morte implacável. As siguiriyas, um dos cantes mais ciganos do flamenco (também o que oferece mais variação, muitos datados do século passado e mantidos intactos até os dias de hoje), devido ao seu compasso marcado lentamente, requer de bailaores
e cantaores grande esforço físico e emocional.



Rumba Flamenca - Com origem na rumba cubana, a rumba gitana é uma das últimas aquisições chegadas ao flamenco vindas da América Latina. É um baile extremamente sensual e contagioso, até mesmo considerado provocativo.



Tangos – considerado o mais puro representante das tradições cigano-andaluzas, os tangos estão disseminados por toda a Andaluzia, principalmente em Cádiz, Jerés e Triana. Os cantes têm letras triviais e humorísticas, poucas vezes tendo conteúdo melancólico. São considerados as formas de cante e jaleo ciganos mais antigos. O baile é sensual e emocionante,definido por movimentos rítmicos, vigorosos e estimulantes.



Tanguillo – O tanguilho originou-se em Cádiz, sendo uma derivação do tango. É considerada uma forma folclórica andaluz, fora da cultura flamenca, pelo fato de seu cante ter poucas características do cante tradicional flamenco, e por ser cantado geralmente de uma forma popular. De toda forma, o baile é bem próximo ao flamenco, sendo uma mescla dos tangos e da rumba, com uma sensualidade mais inocente, diferente da provocativa rumba.



Tientos – são parecidos com o tango, embora mais lentos, mais pausados e sem o caráter festeiro. Tem alguns elementos dos soleares, o que os torna mais sérios, dando aos tientos um ar de profundidade. Freqüentemente, tientos e tangos são interpretados em conjunto, sendo o tiento a apresentação, posteriormente o ritmo vai crescendo até se transformar em tango. O baile por tientos é majestoso, rítmico, dando liberdade ao bailaor para torna-lo mais denso ou gracioso, aliviando o peso imposto pela sua forma musical.



Tarantos - é a forma de baile da música taranta, originária dos trabalhadores das minas da província de Almería, no Sul da Espanha. O cante taranta possui compasso livre, mas quando realizado para o baile, adquire a marcação de 8 pulsos, que impulsionam um bailado profundo, com grandes possibilidades de expressão.



Fandango - de origem desconhecida, tem variações em cada região da Andaluzia. Acredita-se que tradicionalmente ele faça parte da cultura dos povos iberos do norte espanhol. Tem grande influência dos árabes, na dança, nos instrumentos que compõem sua música, nos ritmos que são acompanhados pelas castanholas. Com o decorrer do tempo, o Fandango passou a ter uma identidade mais flamenca, mas manteve um perfil sério, de acordo com sua origem árabe.



Fandanguillos - como os fandangos, há a hipótese de que os fandanguillos descendam do norte da Espanha. Originalmente este cante era acompanhado, assim como o fandango grande, por guitarra, violino, pandeiro e castanholas, mostrando suas influências árabes. Posteriormente, a guitarra passou a ser acompanhada por um espécie de flauta, por tambores (que produziam o ritmo base) e por castanholas, e atualmente pode-se observar somente a guitarra e as castanholas. Os fandanguillos se caracterizam por um número imenso de coplas, que abordam todosos temas e humores.



Malagueñas - Málaga desenvolveu seu próprio mundo flamenco: decidiram que o flamenco de estilo cigano não foi feito para eles, e portanto vieram inovando e criando seus cantes, cada qual apropriado à um estado de espírito. Nos numerosos subestilos de cante e baile malagueño, verifica-se letras que retratam com profundidade as
emoções humanas. As malagueñas tomaram sua forma flamenca em meados do século XIX, graças a alguns anônimos intérpretes dos povoados de Málaga.



Verdiales – espécie de fandango com influências árabes e andaluzas, que assimilou alguns significativos ingredientes flamencos. Dizem que o nome verdiales vem de um pequeno povoado da província de Málaga, Los Verdiales. É uma derivação alegre das malagueñas, e se crê que seja um dos cantes mais antigos de Málaga. São como uma alegre réplica de Málaga para as sevilhanas.O baile, muito folclórico e antigo, é bailado por pares ou grupos. Atualmente têm se desenvolvido mais como solos de guitarra.



Rondeñas – originária de Serra de Ronda, são cantes e bailes alegres e otimistas, semelhantes às verdiales em relação ao ritmo e ao temperamento, mas são menos executadas. Acredita-se que o nome rondeñas tenha relação com "o rondar", no sentido de fazer serenatas, sua função original.



Garrotin – considerado um folclore não-andaluz, vem sendo aceito atualmente pelo mundo flamenco. Há duas versões para sua origem: alguns acreditam que tenha surgido como a farruca, pelos estrangeiros que aportavam no Porto de Cádiz, enquanto outros acham que o garrotin é uma criação cigana, comum nas províncias de Lárida e Barcelona.



Guajiras – versão flamenca para o ritmo cubano de mesmo nome, as guajiras chegaram à Espanha no XVI, por soldados espanhóis que voltavam da conquista. Uma boa parte dos seus versos trata de Cuba e dos cubanos, geralmente de uma forma superficial.



Colombianas – as colombianas foram inspiradas pelo ritmo e pela música popular colombiana, fazendo parte dos cantes nascidos da interação entre o flamenco e o folclore hispano-americano. Assemelham-se às guajiras e rumbas, originárias de Cuba. Foram popularizadas em grande extensão, dentro e fora da Espanha, por Carmen Amaya.



Peteneras - Há uma lenda popular que diz que o cante por peteneras foi criado por uma prostituta que se dedicava à romper corações e que morreu violentamente, pelas mãos de um de seus amantes enganados. Mas a teoria mais aceita é que esta canção popular deriva da antiga copla tradicional cantada por La Paterna, natural do povoado de Paterna, tradicional cantaora do século XIX,e que um erro de pronúncia nomeou este cante.

 



Postado por: shaidehalim às 13h57
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RITMOS E ESTILOS TRIBAIS

Estilo nada mais é do que a interpretação que o artista dá a algo que já está por aí. Existe jazz dance e seus diversos estilos: gus, luigi, modern jazz, street jazz, afro jazz, por exemplo. Na danças folclóricas, que fazem parte da história de um povo, de uma cultura, nós não veríamos essa criação de estilos, pois a idéia seria a de propaga-la de acordo com suas origens e criar a menor quantidade de interferência possível (porque interferência nenhuma é impossível). Na dança do ventre, principalmente nos EUA, onde eles se aprofundam mais no estudo das diferenças regionais da dança, há uma sub-classificação quanto aos estilos: cabaré, egípcia, libanesa, turca, jordaniana, reconhecendo então que em cada país ou região foram feitas alterações na forma original, criando-se então um novo estilo.



Qualquer dança que seja uma releitura de qualquer dança tribal poderia receber o nome estilo tribal, mas isso seria muuuuito complicado. É só uma questão de nomenclatura mesmo. Por exemplo, se algum bailarino de axé identificasse os tremidos de bumbum que eles usam e fizessem a conexão às danças tribais africanas, poderia ele se dar ao direito de chamar seu bundalelê de dança africana? Ou de dança tribal? Danças tribais nós temos aos montes espalhadas pelo mundo, e quando nos referimos ao estilo tribal, uma forma de dança étnica contemporânea,  é sempre bom deixar claro que isso não é de dança tribal (como as originais de fábrica) e sim uma visão estilizada,  processada e remodelada de danças tribais.



É complexo e pode gerar confusões sem fim, não é? Se um outro trabalho que compreendesse a fusão de outras danças tribais também aderissem ao termo estilo tribal, como então fazer a diferenciação entre eles? Penso que essa terminologia deveria ficar restrita à dança criada por Jamila Salimpour, já que ela foi a primeira a utilizar essa nomenclatura. Isso é muito respeitado nos EUA, tanto que as trupes que foram formadas após o trabalho do Bal Anat, entitulam-se estilo tribal, pois vieram dessa mesmaorigem, mas deixam claro em qual subestilo se agrupam, como american tribal style, neo tribal, tribalaret, urban tribal, tribal fusion etc.
 


Agora,entrando na questão dos ritmos e músicas:



O trabalho que é desenvolvido hoje pelo estilo tribal visa algo além da mistura dos estilos musicais verdadeiramente tribais. Como um processo criativo contemporâneo, a busca pela mistura do novo com o velho é algo bastante comum. Até para expandir suas chances de criação e recriação. E pela eterna busca de diferenciação, de não bater de frente com tradicionalismos. Sabemos bem que defensores ferrenhos da tradição costumam não se sentir confortáveis com novidades. Usar uma música puramente tribal/tradicional para um trabalho que vai estar fundindo movimentos de etnias diversas pode soar agressivo aos tradicionalistas. Portanto, viva a fusão!!!

Quando um músico experimenta, mistura, funde, recria, ele está criando um estilo ou se inserindo em um já existente. No fim dos anos 60, quando o estilo tribal surgiu,  obviamente não existia música apropriada para tanto, portanto eles se utilizavam de músicas tradicionais, até que aos poucos foram misturando os elementos das diversas culturas presentes na dança também na música. Música para tribal até bem pouco tempo atrás, nos EUA, era unicamente ao vivo. Não haviam gravações de grupos especializados em criar para bailarinos de estilo tribal. Foi dessa necessidade que começou a busca por músicos que já faziam um trabalho fusion, naquela categoria que conhecemos por world music. A dança foi se adaptando à música, que não foi originalmente feita pensando em servir à dança. Hoje em dia já existem grupos que compõem especificamente para grupos de estilo tribal, o que é um avanço e tanto!!!


Vou falar um pouco de nós da Cia Halim. Aqui no Brasil não havia nenhum trabalho musical voltado ao estilo tribal, mas sim muitos bons compositores de world music. Sinceramente, o trabalho norte-americano voltado exclusivamente para o estilo tribal deixa muito à desejar para a forma como coreografamos. São músicas baseadas numa métrica toda certinha,  que é a necessidade de quem trabalha com o american tribal style e as técnicas de improvisação coordenada, o que não é o nosso caso. Alguns músicos estrangeiros nos chamaram a atenção, como Omar Faruk Tekbilek, Phill Tornton, Prem Joshua, Hassan Hahkmun etc, mas foi nos nossos brasileirinhos que encontramos aquilo que mais tinha a nossa cara. Para começar, o MA3 e o cd Arabesque. É verdade que o trabalho do Mário é bem focado na música oriental, mas algumas influências ciganas e a utilização de beats eletrônicos foram muito bem vindos para nós. Ele praticamente já fazia música para tribal sem saber (já que ele só ficou conhecendo esse estilo de dança por meio da Cia Halim). Mas a nossa maior descoberta foi o trabalho do Marcus Santuris. Além de ter o que faltava para nós no trabalho do Mário, que é a influência muito forte da música indiana e flamenca (que no caso do trabalho da Cia Halim é muito aparente), ainda trazia de quebra a música nacional. Foi amor à primeira vista!!!

Bom, mas vale colocar, para que faça sentido ao texto, que nós dançamos conforme à música. Seria gratificante se pudéssemos ter uma música criada para a nossa dança, mas nós não temos problemas em seguir o que a música pede, ao contrário, foi desse jeito que as danças nacionais entraram no nosso repertório. Na medida, de acordo com o que pede a música,  com as estilizações necessárias para se adaptarem aos padrões do estilo tribal. Eu jamais pensaria em inserir a dança nacional gratuitamente,  utilizar um movimento de maracatu num ritmo flamenco só porque eu acho bonito ou legal. Nunca.

 

 


Mas então é aceitável fugir das fusões básicas e fundir ritmos, instrumentos e danças inspiradas em culturas diversas além da dança do ventre,  do flamenco e da dança indiana? Não há regras que impeçam novos movimentos e novas linguagens no tribal. Tanto que a Halim está aqui pra provar isso... usamos maracatu, côco, frevo, tambor de crioula etc. Alguns grupos de estilo tribal norte-americanos incorporaram movimentos das danças indígenas de seu país no quadro de fusões do estilo tribal. Tudo adaptado para conviver harmoniosamente com os demais elementos mais comuns do estilo. Nem todas as danças folclóricas brasileiras serviriam ao estilo tribal, bem como as danças rituais indígenas americanas. É necessário utilizar o bom senso para não sair inserindo movimentos à torto e à direito só por vontade própria.


Quando o estilo tribal nasceu não ficou declarado que as pesquisas e as fusões iriam parar ali. Tanto que o trabalho de Jamila Salimpour hoje é continuado por sua filha Suhaila, que assumindo a direção da Bal Anat, tratou de inserir outras danças africanas, bem como modernizações como o hip hop (que é um estilo musical norte-americano). 

 

Hoje, com o tribal fusion, vemos a essência do tribal se perder,  já que não são mais mantidas nessas danças uma preocupação em se trabalhar com danças tribais.  As performances são praticamente sempre solos,  perdendo o caráter coletivo da criação original, da dança em grupo, e as músicas são modernas ao extremo,  busca-se cada vez mais inspiração em músicas eletrônicas e góticas.  É o preço da evolução... nada contra a evolução,  mas muito se perdeu de um trabalho riquíssimo de estudo de culturas variadas,  por mais de 40 anos,  para sobrarem apenas remelexos com a barriga, na grande maioria dos casos, ao som de músicas esquisitas - e que estão na moda pq as tribalescas americanas famosas usaram no último Tribal Fest...



Postado por: shaidehalim às 10h33
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