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DANÇA É TERAPIA?

Esses dias me perguntaram se a dança serviria como um tratamento em casos de distúrbios psicológicos, depressões e afins, e se meu trabalho com a dança do ventre é focado na dança terapia. Como esse assunto pode interessar a mais alguém, resolvi postar por aqui.

 

O termo dançaterapia foi cunhado pela bailarina Argentina Maria Fux. Não conheço a fundo seu trabalho, mas é bem conceituado por aí. Quem quiser mais detalhes, dá uma fuçada na internet que tem montes de coisas sobre ela. No mais, qualquer outro trabalho que associe dança e terapia terá de ser analisado individualmente. Meu trabalho com dança não é focado nesse tema, mas acho que, no fim das contas, dançar sempre faz bem.

 

O que eu entendo de dançaterapia? Muito pouco, para falar a verdade. Mas posso falar pelo que eu entendo de dança. Acredito que a dança é uma terapia natural, vai nos mudando gradativamente, por dentro e por fora, nossa disciplina, nossas atitudes, nossa forma de pensar e sentir a própria dança e a vida. Sem forçar a barra, sem artifícios, apenas dançando!!!

 

Em casos especiais, como com deficientes físicos ou crianças autistas, o trabalho com dança é totalmente diferenciado, é claro! Nos casos de cura de depressão a dança pode ter um acompanhamento psicológico, mas tem que ser um trabalho totalmente especializado, ou seja, realizado por um profissional de saúde (psiquiatra ou psicólogo) capacitado para isso.

Eu penso da seguinte forma: se você não sabe fazer, peça ajuda a quem sabe! É o que costumo fazer com o uso do trabalho de biomecânica, por exemplo: não sou fisioterapeuta e justamente por isso consulto pessoas especializadas na área para me dar a orientação correta.

Gostaria de saber de alguém que entenda bem desse assunto se processos terapêuticos
superficiais podem ou não ter alguma contra-indicação, até porque está mexendo com sentimento, subconsciente, emoções guardadas, desconhecidas e totalmente pessoais, ou seja, caminhos perigosos se não forem trabalhados corretamente, imagino eu.

 

De toda forma, há profissionais e profissionais. Há pessoas bem intencionadas, é claro, que pensam realmente que podem ajudar ou curar por meio da dança. Há outras com o simples intuito, sim, infelizmente, de ganhar dinheiro. Há às mal informadas também...

Na dança do ventre, por exemplo, conheço várias pessoas que migraram para uma corrente de dança do ventre terapêutica como uma forma de fugir da marginalização à qual a dança do ventre foi exposta pela sociedade, recebendo desagradáveis títulos de "dança da sedução" ou "do ritual do acasalamento".  Usar o título dança do ventre terapêutica é uma maneira muito honrosa de se trabalhar com algo anteriormente marginalizado. Esse é um segmento, não é uma generalização, ok? Mas para termos uma opinião, precisamos enxergar as várias facetas de uma mesma questão.

Há um problema grande no caso das mal informadas: elas acreditam ou são levadas a crer que a terapia aliada à dança é a solução de todos os problemas, quando, na verdade, é uma sugestão, como ir ao dentista te leva à cuidar de outras coisas na sua saúde, comprar roupa nova nos faz arrumar o armário e jogar fora as coisas velhas. Aliás, quando quero dar uma mudada na vida, é incrível como o pontapé inicial é uma faxina completa no armário. Namorado novo, emprego novo... é como começar o regime na segunda-feira e na quinta já se achar bem mais magra.

 

Quando tomamos a iniciativa de promover mudanças na nossa vida, e isso pode partir até de coisas aparentemente banais, é apenas um reflexo interno. Começar aulas de dança pode ser um chacoalhão para quem está precisando dessas mudanças internas, que acabam aparecendo depois também externamente. Mas, para muitas pessoas, a dança pode não mudar nada em suas vidas e ser apenas mais uma atividade física ou um hobby sem grande importância.


Eu vejo aulas de dança, de bordado, de corte e costura, pintura, cerâmica, atividades esportivas, qualquer uma dessas atividades como uma terapia natural, como já disse anteriormente: as coisas mudam porque a novidade sempre nos motiva, conhecemos gente nova, respiramos novos ares.

Portanto, se a sua vida está precisando de uma movimentada, a dança, seja terapêutica ou não,  pode ser, sim, um novo caminho. Mas não deposite todas as suas esperanças nisso. Mexemos o corpo e com isso tornamos nossa mente mais sadia, mas não podemos afirmar que sua depressão, seu stress e seus problemas desaparecerão como num passe de mágica só porque você requebra o corpo 1 ou 2 vezes por semana. Se a disposição para mudar não estiver dentro de você, com certeza não vai ser seu professor de dança que vai resolver sua vida!


Postado por: shaidehalim às 12h22
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