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E para inaugurar a casa nova...texto novo! Divirtam-se!
A Sinestesia da Música com o Visual e o Verbal - por José Luiz Martinez
A música consta, entre as diversas artes, como uma das formas mais autônomas de organização do signo estético. De fato, no Ocidente, a música é muitas vezes tomada como paradigma da arte pura, ou da arte por excelência'. No entanto, o estudo da significação musical, tal como tenho empreendido em diversos trabalhos, mostra que a música somente funciona como arte pura em uma de suas concepções particulares, a música absoluta. Freqüentemente, a música faz referência a toda uma variedade de objetos acústicos e não-acústicos.
Por outro lado, a música pode ser associada a outras formas artísticas, pertencentes aos domínios da visualidade e do verbal. Essas formas, tais como a canção, a dança, a ópera, o cinema, a multimídia e a hipermídia, constituem linguagens que (exceto pela canção) canalizam suas significações através dos dois principais sentidos humanos, a audição e a visão. Estes são precisamente os principais sentidos estéticos, segundo vários autores (incluindo estetas não ocidentais). Nessas linguagens de caráter bi ou multimidiático, a música exerce um papel fundamental.
Em alguns casos, a música constitui o fundamento do signo estético (canção, ópera, musical, videoclipe); e, outras vezes, a música se associa com outras linguagens de um modo que poderia ser caracterizado como simbiótico (dança, cinema, vídeo, multimídia, hipermídia), pois a significação geral se beneficia das características e potencialidades próprias de cada uma das linguagens componentes. A eficiência estética dessas artes multimidiáticas - que fazem da música a sua base ou que compartilham com ela suas propriedades em diversos tipos de sistemas e estruturas conjuntivas - está na apresentação e processamento de signos complexos que endereçam os dois principais sentidos humanos e que possibilitam uma riqueza de significação e de interpretação inexistentes caso prescindissem da música.
Verifica-se assim que seu estudo, em profundidade, deve ser pautado pelo estudo semiótico de seus modos inter-relacionados de operação, representação e interpretação. De acordo com Peirce, a natureza de todo pensamento é de signo, cujo propósito é ser interpretado,
transformado em outro signo . Desta forma, pode-se concluir que todo pensamento é interpretação. Como base semiótica desse projeto, propõe-se que a intersemiose das artes é interpretação mútua: música interpretando fatos da natureza e da cultura, música interpretando
imagens, dança interpretando música, etc. As investigações propostas procurarão responder como essas redes de interpretação se articulam, quais são seus principais objetos, de que forma se organiza a criação e o pensamento multimidiático.
Estamos em nova casinha...migramos para o UOL!
Recebemos um convite para transferir nosso blog para cá...em breve, novidades! U-huuuuuuuuuu!
Portanto... sejam bem vindos de novo!!!