VENTRE BRASIL - COM QUE ROUPA EU VOU?
Oi pessoinhas,
uma amiga leitora do blog me fez um questionamento sobre o traje para ser utilizado no Ventre Brasil. Por que não criar um traje próprio, inspirado nas várias danças utilizadas na fusão proposta?
Não seria nada fácil, pra começar. Já pensou?????? Maracatu, côco, caboclinho, dança de orixás, tambor de crioula, entre outras... haja saias gigantescas, penas, adornos, palha da costa, turbantes... E a dança do ventre, que é a mãe desse filhote, ia ficar onde?
O traje do Ventre Brasil é um traje de dança do ventre, porque, como já citei, a dança do ventre é a mãezona dessa cria. É à ela que são agregadas todas as outras danças nessa nova misturinha. É claro que ficaria super bacaninha se alguém fizesse um traje diferenciado... pensei em sementes, penas, tecidos como a chita, mas e o estilo tribal? Não dá pra deixar o Ventre Brasil com cara de tribal, pq aí a confusão seria gigantesca... tribal é tribal e ventre, mesmo sendo brasil, é ooooooooooutra praia. E o nosso figurino de tribal brazuca já tem todos esses elementos que citei anteriormente. Também não pode ficar com cara de dança afro, nem mesmo afro belly dance, que é ooooooouto departamento. Muito menos fazer uso de trajes como os de maracatu ou tambor de crioula, que tirariam totalmente a visibilidade dos movimentos da dança do ventre.
Enfim...já martelei muito minha cabecinha com isso e finalizei com uma decisão que achei, por hora, coerente. Pode ser que amanhã me dê um mega estalo e eu tenha a idéia de um figurino genial, que não fique com cara de tribal, nem de afro, e que não perca a cara da dança do ventre.
De toda forma, quando começamos nosso trabalho com o Ventre Brasil, foi, como já contei anteriormente, totalmente no susto. Fomos convidadas para fazer uma inserção no show de uma banda de samba, assim, de supetão, depois de um show nosso de dança do ventre tradicional (tá bom, vai! Nossos shows nunca são tão tradicionais, na verdade! hahahaha). Bom, lá vamos nós, com a cara, a coragem e a roupinha que estava no nosso corpinho, toda de miçangas, canutilhos e véus de seda esvoaçantes.
A coisa deu certo, vingou, virou um projeto, trilhou um caminho, virou uma outra história que passou a ser mais estudada, planejada...aí virou estilo. Entraram as danças para a fusão... nasceu então a idéia de sair das 5 bailarinas que começaram a brincadeira que deu certo! (eu, Hanifah Ysa Dilshad, Jamila Silva, Nubia Ferro e Fernanda Baccaro, minhas alunas e parceiras no projeto Vitrine Beladança). Criei então o curso, que agora está caminhando para levar ao público um espetaculo só de Ventre Brasil, com uma linguagem para palco, diferente, obviamente, da linguagem de show téte à téte com o público.
Mais que isso, essas alunas estão se preparando para dançar profissionalmente conosco, algumas já começam a estagiar esse mês, inclusive, para sentir o jeito da coisa, se adequar ao trabalho com banda ao vivo, ou melhor, com samba ao vivo, que é nada usual, por mais rodada e experiente que seja a bailarina de dança do ventre. Outra linguagem, outra cadência musica, outro público...
E como eu falei em samba... nossa história começou no samba de raíz. Hoje, para o projeto em palco, eu agrego outras danças... e aos poucos essas outras danças estão sendo também inseridas no samba, como o jongo, as danças de orixás, passos de maracatu, entre outros... que, no fim das contas, têm todos a mesma raíz negra e uma visível semelhança de movimentos. E foi justamente porque nascemos no samba, com a base de dança do ventre, que o traje dessa dança não se torna inadequado.
Hummmmmmmmm... alguém consegue notar semelhanças entre os trajes de dança do ventre e o das passistas do Carnaval? Ok, estamos de saia, comportadissimas... nada de biquini, nada de adornos penosos gigantescos (até pq o peso daquilo é impossível de aguentar! rsrssr). Mas os bordados se assemelham tanto, tanto, tanto... né, não? Ou tô errada? Para o samba, que é o nosso carro chefe, os trajes de dança do ventre são facilmente assimilados pelo público que não entende lhufas de cultura árabe, mas que está acostumado com os figurinos carnavalescos.
Só que, colocamos um porém nessa questão, e foi um consenso entre nós do Ventre Brasil Beladança e o Miquelina Bar e Arte, onde temos nosso trabalho regular com esse estilo: barriguinha coberta. Por que, se no samba as mocoilas dançam tão à vontade? Porque não somos sambistas, ora essa! E o público está se acostumando com uma nova dança, um novo conceito. Proteger nossas meninas é nossa prioridade. Deixar a dança no patamar artístico é nossa prioridade. Oba-oba é lá no Carnaval!!!!! Já não basta a dança do ventre ter uma imagem tão mal regida por aí, né?
Bitocas!
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ESTUDOS VENTRE BRASIL: MARACATU
O textinho é da wikipedia (com pequenas interrupções da tia que vos fala, entre parênteses), but... como não sei se minhas alunas aplicadas já saíram por aí caçando material sobre o tema, segue um pouquinho por aqui. Em breve posto mais sobre o mesmo!
Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira (leiam o outro texto que fala das nações africanas que aportaram pr aqui!). É formada por uma percussão que acompanha um cortejo real. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, é uma mistura das culturas indígena, africana e européia. Surgiu em meados do século XVIII. Foi criado para formar uma crítica às cortes portuguesas.
Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife, também conhecidos como Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação, nasceram da tradição do Rei do Congo, implantada no Brasil pelos portugueses. O mais remoto registro sobre Maracatu data de 1711, de Olinda, e fala de uma instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei: o Maracatu.
Parece que a palavra "maracatu" primeiro designou um instrumento de percussão e, só depois, a dança que se dançava ao som deste instrumento (como quase tudo no folclore, o som vem, depois a dança se segue!). Os cronistas portugueses chamavam aos "infiéis" de nação, nome que acabou sendo assumido pelo colonizado. Os próprios negros passaram a auto-denominar de nações a seus agrupamentos tribais. As nações sobreviventes descendem de organizações de negros deste tipo, e nos seus estandartes escrevem CCMM - Clube Carnavalesco Misto Maracatu.
Mário de Andrade, no capítulo Maracatu de seu livro Danças Dramáticas Brasileiras II, elenca diversas possibilidades de origem da palavra maracatu, entre elas uma provável origem americana: maracá=instrumento ameríndio de percussão; catu=bom, bonito em tupi; marã=guerra, confusão; marãcàtú, e depois maràcàtú valendo como guerra bonita, isto é, reunindo o sentido festivo e o sentido guerreiro no mesmo termo. Mario de Andrade no mesmo texto deixa claro que enumerava os vários significados da palavra "sem a mínima pretensão a ter resolvido o problema. Simples divagação etimológica pros sabedores...divagarem mais." No entanto, sua origem e história não é certa, pois alguns autores ressaltam que o maracatu nasceu nos terreiros de candomblé, quando os escravos reconstituíam a coroação do reis do Congo. Com o advento da abolição, este ritual ganhou as ruas, tornando-se um folguedo carnavalesco.
Constituição
Do Maracatu Nação participam entre 30 e 50 figuras. Entre elas estão o Porta-estandarte, trajado à Luís XV, como nos clubes de frevo, que conduz o estandarte. Atrás, vêm as Damas do Paço, no máximo duas, e que carregam as Calungas, que são bonecos de origem religiosa, que simbolizam uma rainha morta. (Pessoas, há também o maracatu de baque solto, que posto depois pra vcs, mas não será útil pra nós, pela dificuldade em fundir seus movimentos aos que já trabalhamos no Ventre Brasil)
A dança executada com as Calungas tem caráter religioso e é obrigatória na porta das Igrejas, representando um "agrado" a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito. Quando o Maracatu visita um terreiro, homenageia os Orixás (leiam o texto anteriormente postado que fala sobre as danças dos orixás ^-^).
Depois das Damas do Paço segue a corte: Duque e Duquesa, Príncipe e Princesa, um Embaixador (nos Maracatus mais pobres o Porta-estandarte vale como Embaixador). A corte abre alas para o Rei e a Rainha, que trazem coroas douradas e vestem mantos de veludo bordados e enfeitados com arminho. Nas mãos trazem pequenas espadas e cetros reais. O Rei é coberto por um grande pálio encimado por uma esfera ou uma lua, transportado pelo Escravo que o gira entre suas mãos, lembrando o movimento da Terra. O uso deste tipo de guarda-sol é costume árabe (opaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!) , ainda hoje presente em certas regiões africanas.
Alguns Maracatus incluem nesse trecho do cortejo também meninos lanceiros (que aparecem aos montes do outro maracatu que citei anteriormente, de baque solto),e a figura do Caboclo de Pena, que representa o indígena brasileiro e tem coreografia complicadíssima (em breve também um texto sobre danças caboclas... aguardem cenas dos próximos capítulos!).
A orquestra do Maracatu Nação é composta apenas por instrumentos de percussão: vários tambores grandes, as alfaias, caixas e taróis, ganzás e um gonguê, metalofone de uma ou duas campânulas, percutidas por uma vareta de metal. Hoje em dia, se usa os agbes ou xequerê, instrumento confeccionado com uma cabaça e uma saia de contas (lá vou eu dar pitaco de novo: para compreender mais sobre a instrumentação das orquestras de maracatu, leiam o glossário de instrumentos musicais, postado aqui no blog há poucos dias atrás). O Mestre de Toadas "puxa" os cantos, e o coro responde. As baianas têm a responsabilidade de cantar, outras vezes, são os caboclos, mas todos os dançarinos também podem participar.
Este Maracatu mais tradicional é chamado de Baque Virado porque este termo é sinônimo de um dos "toques" característicos do cortejo. Os Maracatus de Baque Virado sempre começam em ritmo compassado, que depois se acelera, embora jamais alcance um andamento muito rápido. Antes de se ouvir a corneta ou o clarim, que precedem o estandarte da Nação, é a zoada do "baque" que anuncia, ao longe, a chegada do Maracatu.
O Maracatu se distingue das outras danças dramáticas e das danças negras em geral pela sua coreografia. Há uma presença forte de uma origem mística na maneira com que se dança o Maracatu, que lembra as danças do Candomblé. Balizas e Caboclos dançam todo o cortejo. Baianas e Damas do Paço têm coreografias especiais. Todos os outros se movimentam mais discretamente. Caboclos e Guias fazem muitas acrobacias, que parecem com os passos dos frevos de carnavalescos. Mário de Andrade descreve a dança das yabás (ou seja, as baianas): ?Embebedadas pela percussão, dançam lentas, molengas, bamboleando levemente os quartos, num passinho curto, quase inexistente, sem nenhuma figuração dos pés. Os braços, as mãos é que se movem mais, ao contorcer preguiçoso do torso. Vão se erguendo, se abrem, sem nunca se estirarem completamente no ombro, no cotovelo, no pulso, aproveitando as articulações com delícia, para ondularem sempre. Às vezes, o torso parece perder o equilíbrio e lerdamente vai se inclinando para uma banda, e o braço desse lado se abaixa sempre também, acrescentando com equilíbrio o seu valor de peso, ao passo que o outro se ergue e peneira no ar numa circulação contínua e vagarenta...?
As personagens que compõem o cortejo são os seguintes:
Porta-estandarte, que leva o estandarte; este contém, basicamente, o nome da agremiação, uma figura que o represente e o ano que foi criada.
Dama do paço, mulher que leva em uma das mãos a CALUNGA (boneca de madeira, ricamente vestida e que simboliza uma entidade ou rainha já morta).
Rei e rainha, as figuras mais importantes do cortejo, e é por sua coroação que tudo é feito.
Vassalo, um escravo que leva o PALIO (guarda-sol que protege os reis).
Figuras da corte: príncipes, ministros, embaixadores, etc.
Damas da corte, senhoras ricas que não possuem título nobiliárquicos.
Yabás, mais conhecidas como baianas, que são escravas. Batuqueiros, que animam o cortejo, tocando vários instrumentos, como caixas de guerra, alfaias (tambores), gonguê, xequerês, maracás, etc.
Última notinha da Tia Shaide: como podem perceber, dança vai, dança vem, tudo esbarra no candomblé, nos orixás, na macumbinha nossa de cada dia, ou seja, na forte raiz cultural africana, nas danças dessa nossa terra brasilis! rsrsrs Portanto, gurias do Ventre Brasil, nada de ficar reclamando quando eu colocar a gente rolando chão afora que nem "cavalo" bolando no santo, tá? rsrsrsrs Faz parte, crianças, faz parte!
Bitocas!
E estudemmmmmmmmmmmmmmmmm!
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POR QUE NÃO ME UFANO DA FRANQUIA DO BALLET BOLSHOI
Por que não me ufano da franquia do Balé Bolshoi - por Helena Katz (março de 2003)
Por que não me ufano da franquia do Balé Bolshoi ?
Por que uma escola que usa dinheiro público se orgulharia de exportar talentos para a matriz?
Vamos praticar aqui um dos mais preciosos papéis a que pode se dedicar a imprensa: colaborar para qualificar a reflexão sobre os fatos para que leitores melhor informados possam exercer com mais clareza a sua cidadania. Dentre as possibilidades de perseguir esse objetivo está, por exemplo, a de não aceitar sem questionamento o conteúdo do press release que o interessado faz chegar ao jornalista. Nesse sentido, o ufanismo que começa a se alastrar a respeito da "bailarina brasileira que entrou no Bolshoi" serve como boa oportunidade.
Raquel Steglich tem 19 anos e está na Escola Bolshoi do Brasil há três (a escola foi inaugurada em 15 de março de 2000). Evidentemente, não foi formada lá, uma vez que ninguém se forma em balé clássico com somente três anos de estudos, especialmente se os tiver começado aos16 anos (ela estuda desde os 4). Segundo Jô Braska Negrão, diretora da escola, Raquel é "uma menina de visão, inteligente e muito boa em balé" que encantou os ex-primeiros bailarinos do Bolshoi Vassiliev e Maximova nos exames, ao fim do ano passado. "Raquel já havia sido selecionada para um estágio em 2001, mas foram eles que, entusiasmados pelo seu desempenho, nos pediram para reenviá-la, pois, pelo nosso acordo, indicamos a cada ano quatro alunos e dois professores para visitas de duas semanas à escola de Moscou, em viagens que ocorrem através de um fundo que o Teatro Bolshoi provê", explica Jô Braska.
Raquel se tornará estagiária-residente no Balé Bolshoi, com chance de ser contratada oficialmente no fim do ano. "O ordenado melhorou muito na companhia, chegando um solista a ganhar entre US$ 1 mil e US$ 7 mil por espetáculo, o que está levando muitos dos que estavam dançando fora a querer voltar", comenta.
A filial brasileira já se orgulhava de Ana Luiza Grossi, que passou a integrar o elenco da Companhia e Ópera de Mardeburg, na Alemanha, em dezembro. E entende que as duas são exemplos da qualidade do trabalho que vem sendo desenvolvido em Joinville. "Quando há apoio, fica claro que talentos não nos faltam", diz Jô. E a questão começa exatamente aí, na natureza desses apoios.
Como se sabe, todo dinheiro vindo das Leis de Incentivo à Cultura é público, pois se trata de imposto que o governo abre mão em recolher e repassa para ser distribuído pelas empresas devedoras como bem entenderem. Segundo Jô Braska, hoje a escola depende apenas cerca de 50% do dinheiro das Leis de Incentivo à Cultura. "Temos apoio de pessoas físicas e o patrocínio dos Correios é com recursos não incentivados."Nesse contexto, uma pergunta parece inevitável: por que uma escola que usa dinheiro público se orgulharia em exportar bailarinos para a sua matriz ou para uma companhia alemã sem expressão alguma no cenário internacional, quando há tanto para se fazer por aqui? Isso nãodeveria ser, ao contrário, motivo de enorme preocupação, pois expõe que a escola prepara profissionais para um mercado local inexistente? Parece claro que o dano do modelo matriz/filial das multinacionais na economia se alastra para onde for levado.
Para Jô Braska, "era preciso implantar algo sério dentro da dança brasileira, pois nos faltava uma escola verdadeira, que esse patrimônio da humanidade que é o Bolshoi vem suprir. Aconteceram muitas iniciativas entre nós mas, infelizmente, lhes faltou sempre algo de peso".
Não se trata de ir contra um projeto de educação gratuita em dança que pode atender quem a sociedade deixou à margem (hoje já são 273 alunos), pois esta se tornou uma tarefa urgente no nosso país. Mas é preciso serenidade para separar o social do artístico também nesse projeto. Quem não se emociona ao assistir criancinhas e jovens que jamais teriam a oportunidade de transformarem, pela dança, a sua vida e a da sua família e a do seu entorno?
Mas por que isso precisa acontecer à custa do franchising do nome Bolshoi, numa concorrência quase desleal com as dezenas de projetos semelhantes que se espalham pelo Brasil com orçamentos menores? Será mesmo necessário pagar para importar essa pedagogia?Além do financeiro, há o custo ideológico. A escola realiza também um importantíssimo programa de formação de platéias. "Estamos fechando com o Norte e o Nordeste para que as nossas apresentações da Mostra Didática atinjam a rede pública de ensino, e isso significa formar cerca de 100 mil crianças como platéia para a dança." Alguém aí tem noção do que representa para um país como o Brasil uma formação que tem como padrão de referência a técnica, a estética e a ética da dança russa do Bolshoi? Será que todo o importante papel de educação que a escola de Joinville realiza precisava mesmo acontecer debaixo dessa grife?
Quem não é da área vive recitando os santos nomes de Nijinsky, Nureyev e Baryshnikov como se fossem salvos-condutos para que a cartilha que os formou (o método Vaganova) venha salvar o balé brasileiro dos males que o vitimam.
A franquia do nome do Bolshoi com dinheiro público carrega ainda um aspecto predador que não pode ser negligenciado quando se pensa na natureza da dança que se deseja ver florescer entre nós. Que o balé clássico se consolide como mercado no Brasil, sim, mas seguindo ospassos de Paulo Freire, isto é, pensando com liberdade aquilo que nos é próprio para transformar o produto dessa reflexão crítica em metodologia de ensino. Se a escola já se consolidou a ponto de atrair empresas com investimentos não incentivados, demonstra vigorsuficiente para educar também esses empresários no sentido de patrocinarem um projeto - e não o nome de maior apelo popular em dança em todo o mundo. Ainda há tempo para que a escola de Joinville entenda que terá um papel fundamental na história da dança no Brasil quando acreditar que não precisa do escudo do nome Bolshoi.
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03h28
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Eu fiz essa pesquisa há alguns anos atrás, como parte de um estudo sobre musicalidade para dança tribal. No fim das contas, a idéia de pesquisar sobre música e instrumentos foi tão divertida que acabei fazendo um pequeno glossário, que pode ser útil para quem curte música e também para curiosos de plantão!
Voilá:
Adufe - Instrumento de percussão muito utilizado nos rituais de candomblé, principalmente no nordeste brasileiro. De origem africana, a palavra adufe éoriunda do dialeto iorubá (nagô) e quer dizer pequeno tambor.
Agê - instrumento africano, de origem iorubá, é constituído por uma cabaça envolta em uma malha de fios de contas, miçangas, sementes ou búzios. Também é conhecido no Brasil pelo nome afoxé, por ser muito usado nessa forma demanifestação folclórica. O som do agê é concebido ao girar as miçangas em um sentido, e a extremidade do instrumento (o cabo) no sentido oposto.
Agogô - instrumento de ferro tocado com auxílio de uma vaqueta. Foi introduzido no Brasil pelos africanos, sendo o termo agogô pertencente a língua nagô e significando "sino". É utilizado em folguedos populares,cerimônias religiosas afro-brasileiras e na capoeira.
Alfaia - tambor oriundo de Pernambuco, era feito com madeira de macaíba no corpo e jenipapo nas extremidades. Atualmente, as alfaias são feitas de compensado (madeira prensada) no corpo e, nas extremidades são feitas deferro. A pele é de cabra ou bode, e as cordas ao redor do tambor são de sisal. É tocado com um par de macetas.
Atabaque - Instrumento muito antigo de origem oriental, presente entre os persas e os árabes e muito divulgado posteriormente na África. Chegou ao Brasil, introduzido pelos portugueses, para ser usado em festas e procissões religiosas. Devido aos africanos já o conhecerem, outros tipos foram trazidos para o nosso país, chegando aos terreiros e posteriormente tornando-se um dos componentes do ritmo da roda de capoeira. É o principal instrumento de percussão da roda, marcando o ritmo e facilitando a sincroniaentre os três berimbaus.
Aquerê, Iraê ou Olho de Pomba - Instrumento de origem africana, feito de sapé ou palha de chapéu, recheado com esferas de chumbo. É usual no ritmo afoxé e nos terreiros de candomblé, e destaca-se na salsa e no maracatu, onde tem função de instrumento de base.
Balafon - tipo de xilofone, originário da África do Sul, com ocorrência também em outros países deste continente. Compõe-se o balafon de pequenas placas de madeira, de tamanhos e afinações diferentes, montadas paralelas umas às outras e amarradas ordenadamente em duas travessas ortogonais,também de madeira, apoiadas sobre couro. Obtém-se o som, que é mais opaco e menos potente em relação ao xilofone, percutindo-as por meio de pequenas baquetas. O número de placas de madeira varia, podendo atingir até vinte e duas. Alguns músicos de Jazz têm demonstrado interesse por este instrumento musical africano, tendo sido introduzido em seus trabalhos vanguardistas.
Bendir - Espécie de pandeiro árabe, de grande tamanho, com 40 cm de diâmetro e 5 pares de címbalos, também muito comum no norte da África. Este instrumento é utilizado em músicas religiosas, principalmente pelos músicos sufis.
Berimbau - instrumento de uma só corda, composto por uma verga de madeira(biriba), um arame , uma cabaça , um caxixi (chocalho artesanal) , uma vaqueta e, para emitir seus sons, é utilizado uma pedra ou dobrão (moeda de cobre) . O que dá diferentes nomes aos berimbaus é a diferença no tamanho de suas cabaças sendo que o viola possui a menor cabaça e o gunga a maior cabaça. Portanto a definição do tipo do berimbau que está sendo tocado depende diretamente dos outros berimbaus que estão sendo utilizados em conjunto, geralmente nas rodas de capoeira. O berimbau varia suas notas musicais através de uma maior ou menor pressão do dobrão no arame, e de se encostar ou não a cabaça na barriga do tocador.O berimbau é segurado com o dedo mínimo por debaixo do barbante que prende a cabaça ao arame pela mão esquerda . O dobrão fica entre o polegar e o indicador desta mesma mão. Com a mão direita o tocador deve segurar o caxixi e bater ritmicamente com a vaqueta contra o arame. Esse instrumento foi introduzido no Brasil pelos portugueses, e também pelos escravos africanos.
Bodhrán - de origem comum à Irlanda, Escócia e País de Gales, o bodhrán (pronuncia-se "bough-rawn"), é constituído por uma armação circular de madeira, sobre a qual é fixa e esticada uma pele, (geralmente de cabra), sobre uma das faces, que é percutida com a mão ou, mais recentemente, com o auxílio de uma haste de madeira de formatos diversos, chamada "tipper" ou "beater", em inglês, ou "cipin", em irlandês. A origem do Bodhrán é incerta; em irlandês, a palavra "Bodhrán" deriva da expressão "Bodhar" que significa "som surdo"; (sem dúvida uma referência ao som característico do instrumento), em galês designa-se "Wecht"("Peneira"), o que é elucidativo sobre a sua possível origem. Há vários tipos de Bodhrán, da rude peneira ao Bodhrán mais sofisticado, com chaves para afinação, de 16, 18 ou mais polegadas, construídos em várias madeiras, (ou até mesmo em plástico ou alumínio!) e com peles de qualidade variável, (por vezes decoradas com desenhos ao gosto de cada um). Podem encontrar-se em quase todo o mundo instrumentos semelhantes, como o bendhir norte-africano, o tamburo italiano e até mesmo os tambores rituais usados pelos xamãs de certas tribos de indios da América do Norte. Apesar da sua concepção extremamente simples, o Bodhrán é dotado de uma enorme versatilidade; enquanto o "cipin" de madeira percute a pele em toda asua extensão, graças ao rápido movimento circular do pulso, (o que permite obter ritmos dos mais simples aos mais complexos), a outra mão, colocada atrás da pele, desloca-se livremente na sua superfície e pressiona-a de modo variável, controlando a tonalidade e volume da percussão, (por vezes, tambémo aro de madeira é usado para obter uma série de estalidos secos que adornam a execução). Estas duas técnicas combinadas dão-lhe a versatilidade que o tem tornado tão popular no circuito dos grupos de música tradicional e folclórica.
Bongôs - instrumento composto por dois pequenos tambores (semelhante à tabla indiana), um agudo e um grave, com afinação através de parafusos de metais no corpo do instrumento. De origem africana, é muito usado em reggae e na música cubana, em combinação com as congas.
Cabaça de água - instrumento de percussão construído a partir de um fruto em forma redonda. É normalmente tocado dentro de água. A sua utilização é mais freqüente no continente africano.
Cajón - instrumento de percussão de origem peruana, que foi inserido na cultura e música flamenca. Parecido com um banco, ou uma caixa de madeira oca, é tocado com as mãos. Sua origem vem de caixas de bacalhau, usadas como percussão pelos estivadores no cais do porto no Peru.
Castanholas - castanholas ou "palillos", como também são chamadas em espanhol, são provenientes da Espanha e freqüentemente usadas para dar uma ambiência espanhola a uma peça, e também utilizada pelas bailarinas de dança flamenca. As castanholas originais são pequenos pratos de madeira dura (em espanhol, castaña significa castanha). Esses pequenos pratos são unidos por uma corda fina, que é enrolada no polegar e no indicador, sendo entãopercutidos um contra o outro, com grande precisão rítmica. As castanholas da orquestra são construídas de outra forma: os pratos de madeira são articulados em uma vareta, para maior conveniência do instrumentista; então, agita-se a vareta ou o cabo, ou golpeiam-se os pratos contra a outra mão ou contra o joelho.
Daff ou Deff - pandeiro árabe, muito usado na música Oriental, em geral. Também recebe o nome de daff-snuj, em algumas regiões. O Daff tem aproximadamente 30 cm de diâmetro e 5 pares de címbalos (snujs). É utilizado por bailarinas em danças folclóricas ou em uma versão modernizada, na dança do ventre, e também na dança karsilama turca. É um instrumento associado às mulheres, pois elas foram as primeiras à toca-lo no Oriente.
Dholak - um tambor muito popular na música folclórica do norte da Índia. Tem o corpo em formato de barril ou ampulheta. Do lado da mão direita é montada uma pele simples, do lado da mão esquerda é montada uma pele que tem aplicada na superfície interna uma mistura de alcatrão, argila e areia, que abaixa seu tom e a faz emitir um som mais definido. Existem duas maneiras de esticar essas membranas. Em uma delas, os dois anéis metálicos que prendem as peles são enlaçados por cordas, que são esticadas durante a afinação; na outra, os anéis são presos por tarraxas metálicas, com parafusos que são apertados durante a afinação. Este já foi um instrumento de considerável prestígio, mas hoje praticamente só é usado na música de filmes e na música folclórica.
Djembe - instrumento de percussão africano cuja origem é algo polêmica.Segundo se supõe, este instrumento surgiu na África Ocidental, nas regiões de Mandingue, Mali, Senegal, Guiné e Burkinafasso, embora não seja um dado adquirido, uma vez que se encontra igualmente difundido por muitas outras regiões de África. O Djembe é construído com uma pele única de animal - hoje normalmente de cabra, embora os originais fossem feitos a partir de pele de antílope. Alguns djembes industriais são feitos de fibra e peles sintéticas, ganhando em termos de durabilidade e perdendo, naturalmente, em termos de riqueza de som. O Djembe, que também se pode escrever "Jembe", é construído a partir de um tronco de árvore que, segundo os artesãos mais experientes, deve ser cortado pelo menos um ano antes de ser "esculpido". Normalmente o músico toca em pé, com o instrumento preso ao corpo do executante. A pele é percutida com as mãos, podendo-se produzir três sons básicos: "slap", "open", e "base". Oprimeiro é tocado no rebordo da pele e dá origem a um som aberto, o "open" é tocado entre o rebordo e o centro é um som semelhante ao "slap" embora mais fechado e a "base" tocado no centro da pele é um som profundo, grave.
Derbake ou Darbuka - instrumento de percussão, estreitamente ligado à cultura árabe, sendo também tocado em muitas regiões do sul da Europa, onde é possível encontrar a influência das culturas do Norte de África. Os ocidentais normalmente conhecem este instrumento pela sua utilização no acompanhamento das danças do ventre (as danças orientais e do norte de África baseiam-se em movimentos interiores - tendo como ponto principal o centro do corpo - e nos isolamentos, ou seja, a capacidade de mover independente e separadamente as diferentes partes do corpo). Este instrumento é tocado debaixo de um dos braços e o som é obtido pelo"estalar" dos dedos sobre a pele - o que lhe confere um som muito rico e particularmente sugestivo para a dança que acompanha. Obtém-se dele uma variedade de sons extremamente rica, sendo constituído por uma pele simples de camelo ou sintética. As darbukas são normalmente construídas em barro ou metal.
Doumbas - correspondem a um conjunto de três instrumentos: Doundounba (ou Djun), Sanbga e Kenkeni, servindo de acompanhamento para uma orquestra de Djembes. Tradicionalmente são feitas de madeira com pele dupla de vaca e afináveis com cordas. Estes instrumentos desempenham a importante função de marcação do ritmo da música africana, tal como acontece com os surdos em relação à música brasileira. Tocam-se com baquetas ou paus, posicionando os instrumentos na horizontal. Um dos paus é usado num dos lados da pele e o outro numa campainha/choca que se põe no topo dos instrumentos. O tocador poderá tocar um, dois ou mesmo os três instrumentos conseguindo assim um autêntico set percussivo. Doundounba é o maior e conseqüentemente o som mais grave, Sanbga é o do meio e Kenkenio menor e mais agudo.
Ilú - instrumento musical africano, da nação ijexá, feito de macaíba e couro de bode, que se assemelha ao atabaque.
Maracá - espécie de chocacho, também conhecido como chocalho globular, é um instrumento de origem indígena, originalmente utilizados em cultos religiosos. Ele é geralmente pintado e enfeitado, alguns sendo pintados com figuras de rostos humanos, como o faziam os Tupinambás do século XVI, que até mesmo os alimentavam como se fossem pessoas vivas, colocando-os ao lado da comida. Já no século XX, na tribo Javajé (grupo Macro-Jê), foramencontrados chocalhos globulares quase iguais aos dos Tupis do século XVI: cuité (ou cuia) com aparência de rosto de homem, os olhos formados de pedaços de conchas, a boca esculpida na própria peça, os cabelos representados por penas coloridas.
Maracaxá - instrumento que nasceu em Pernambuco, dentro do maracatu. Espécie de chocalho, que pode ser fabricado em vários formatos. Na sua fabricação são usados aço dobrado e esferas de chumbo chamadas de "olho de pomba" por dentro. Como o aguerê, na música também desempenha a função de base.
Mazhar - Instrumento musical de percussão, de origem oriental, que assemelha-se à um pandeiro (como o daff ou o bendir), mas com maior dimensão, tendo aproximadamente 60 cm de diâmetro, e sem possuir címbalos. É, assim como o bendir, utilizado em músicas religiosas sufis ou em festejos especiais como funerais ou cerimônias de benção ou cura. Além de ser visto na religião sufi, é encontrado sendo tocado em algumas mesquitas.
Pandeiro - Utilizado na velha Índia e Península Ibérica na Idade Média, em festas de bodas, casamentos e outras cerimônias religiosas. Foi introduzido no Brasil também pelos portugueses, e utilizado posteriormente em rodas de samba e pelos negros na roda de capoeira, sendo um instrumento de percussão geralmente mais agudo que o atabaque. É uma espécie de tambor, internacionalmente conhecido como tambourine, sendo constituído por um aro de madeira, recoberto com uma pele única, de animal ou sintética, preenchido com pedaços de metal que chocalham e vibram à medida que se percute o instrumento. E toca sendo segurado por uma das mãos e batendo com a outra. Os ritmos são, em parte, criados a partir de um jogo de movimentos quer da mão que segura o instrumento, quer da mão que bate na pele. Os diferentes sons são obtidos ao bater-se na pele, recorrendo a um movimento do pulso e usando os dedos para enriquecer o ritmo. É possível obter sons graves e agudos, dependendo da força e da forma de bater, fazendo do pandeiro um instrumento essencial no samba e com grandes responsabilidades na cor dos ritmos brasileiros.
Pakhawaj - o representante mais comum, no norte da Índia, da classe de tambores com formato de barril conhecidos como Mridang. Eles já foram muito comuns na região, mas nas últimas poucas gerações a Tabla tomou seu lugar em importância. A pele do lado direito é idêntica à Tabla Dayan, só que com um diâmetro um pouco maior. A pele do lado esquerdo, que é a maior das duas, é similar à Tabla Bayan só que é usada uma aplicação temporária de farinha e água no lugar do ponto negro permanente. As peles são enlaçadas com tiras decouro cru, e blocos de afinação são colocados entre elas e o corpo. As composições de Pakhawaj são passadas de geração em geração. Como na Tabla, elas são ensinadas por meio de uma série de sílabas mnemônicas conhecidas como Bol. Existem diferenças significativas entre os Bols da Tabla e os Bols do Pakhawaj. Isso constantemente causa confusão aos músicos, que desejam tocar composições de Pakhawaj na Tabla.
Percussões finas - Servem de acompanhamento ao ritmo e à música. Estes pequenos instrumentos desempenham um papel muito importante na música. Existe uma quantidade muito grande de instrumentos deste tipo, desde shakers, maracas, reco-recos, paus de chuva, claves, etc. todos normalmente feitos a partir de simples materiais da natureza.
Riqq ou Reque - Espécie de pandeiro árabe. De tamanho pequeno, aproximadamente 20 com de diâmetro, possui dez pares de címbalos, produzindo um som mais agudo que o daff. No Iraque, o nome deste instrumento é Zinjari, enquanto na África é conhecido por Tar.
Samul-nori - siginifica, literalmente, "jogo de 4 instrumentos", um autêntico "batuque" contagiante executado por 4 instrumentos de percussão tipicamente coreanos, chamados buk (tambor simples), qwenguari (gongo pequeno), jing (gongo grande) e Jango (tambor em forma de ampulheta que pode ser carregado a tiracolo, o que permite ao músico tocar e dançar ao mesmo tempo). Cada região da Coréia desenvolveu um Samul-nori com cores locais, onde um dos quatro instrumentos pode adquirir maior peso rítmico, mas, em geral, o qwenguari desempenha o papel de "puxador". O Samul-nori pode ser apresentado tanto com os músicos sentados no chão quanto em pé. Neste caso, a combinação de ritmos e movimentos corporais, extremamente complexos e integrados, produzem um raro espetáculo de beleza e vigor. Em certo sentido, assemelha-se a uma boa batucada de samba, em seu poder de contagio ecomunhão, e não por acaso o Samul-nori já participou de festivais internacionais de percussão realizados na Bahia. Samul-nori é extraído de uma peça de dimensões mais amplas da cultura coreana, o Pungmul, espetáculo performático,misto de musica, dança e percussão praticado em festividades camponesas de antigamente. Samul-nori representa, portanto, o puro substrato da percussão coreana: exibe vigor, excitamento e frenesi incomuns para uma percussão oriental, ao mesmo tempo que mostra um delicado refinamento e sofisticação. Em Samul-nori ouvimos e vemos cadências que se alteram caprichosamente, ritmos que se alternam rapidamente, momentos de tensão com uma rica dinâmica de volumes e intensidades, diálogos entre os instrumentos em transe, produzindo uma percussão de arrepiar e de perder o fôlego.
Santur ou Saltério - É quase impossível, hoje, construir e tocar com total fidelidade um instrumento musical de 2500 a.C. Os materiais usados naquela época (madeira, tripas e couro de animais, por exemplo) já estão menos disponíveis e, além disso, faltam documentos para comprovar com precisão como eram feitos. Um exemplo disso é o saltério, composto por uma caixa de madeira com cordas esticadas e percutidas por baquetas. O saltério surgiu naregião da Caxemira, entre Índia e Paquistão. Há também o santur persa, hoje fabricado apenas no Irã, totalmente fabricado em processo manual. Esse instrumento trata-se do provável ancestral do piano que conhecemos hoje, portanto tido como uma verdadeira relíquia histórica.
Tabla Indiana - consite em um par de tambores: um pequeno tambor chamado Dayan e outro de maior tamanho chamado Bayan. O Dayan (tambor da mão direita) é quase sempre feito de madeira. O diâmetro da sua membrana pode variar de um pouco menos de 12cm a um pouco mais de 15cm. O Bayan (tambor da mão esquerda) pode ser feito de ferro, alumínio, cobre, aço ou argila, mas o latão cromado ou niquelado é o material mais comum. Sem dúvida a característica mais notável da Tabla são os grandes pontos pretos nas duas membranas. Esses pontos são uma mistura de látex, fuligem e limalha de ferro. Sua função é criar o timbre metálico que é característico do instrumento. Complexos padrões rítmicos são executados numa Tabla. Apesar da origem da Tabla ser obscura, é geralmente aceito que ela evoluiu do tambor chamado Pakhawaj, há mais ou menos duzentos anos atrás. Juntos elessão os mais importantes instrumentos de percussão da música indiana.
Tabla Tarang - consiste num número de Tabla Dayans (tambores da mão direita da Tabla), afinados nas diferentes notas de uma escala. Melodias completas são tocadas, fazendo soar os Dayans apropriados. Podem ser até mais de dez tablas dayans tocadas consecutivamente.
Tama - é da orquestra do Djembe, de madeira e esculpido de um único tronco, com pele dupla de cabra ou sintética, ou em alguns casos de lagarto. É afinável através de um sistema de cordas que une uma pele à outra. Toca-se de
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CONHECENDO AS DANÇAS: JAZZ DANCE
A origem do Jazz Dance tem raízes populares, surgindo no final do século passado, evoluindo paralelamente à jazz music norte-americana. Suas influências são obviamente na cultura negra e suas características mais marcantes são visivelmente inspiradas nas DANÇAS AFRICANAS, com trabalho de isolação muscular, marcação de quadril, ritmo pulsante e balanço.
Durante a época da escravidão, quando os navios negreiros viajavam da África para a América, os negros eram obrigados a dançar para manterem sua saúde. Para isso, imitavam os brancos e suas danças tradicionais da época (polca, valsa) e faziam desta imitação uma forma de ridicularizar seus opressores, mas também misturavam a isso suas danças tribais.
Por volta de 1740, quando os tambores foram proibidos no Sul dos EUA, os negros passaram a executar sua música e sua dança de outras formas, e para isso se utilizaram do som de suas palmas, do banjo e do sapateado.
Por volta de 1900, as danças afro-americanas começaram a se propagar pelo país e a entrar nos salões de baile, sofrendo assim novas influências. Logo esta dança passou a ser dançada por negros e brancos, e a tomar conta dos palcos, se transformando no que era chamado antigamente de Comédia Musical, que nada mais era do que os primeiros passos da dança que hoje conhecemos como Jazz.
Esta dança é hoje considerada uma forma de expressão pessoal baseada no improviso, embora muitos dos trabalhos nesta modalidade sejam coreograficamente montados, principalmente no Jazz-Teatro.
O grande triunfo desta dança nos EUA é visto principalmente nos espetáculos da Broadway. Já houve grande preconceito quanto à esta modalidade, sendo até mesmo considerada uma arte menor em qualidade coreográfica, mas atualmente o crescimento do interesse e da qualidade de bailarinos e coreógrafos faz com que muitos confundam suas peças com trabalhos de dança moderna.
O primeiro grande mestre do Jazz foi Jack Cole, mais conhecido como O Pai do Jazz. Começou pela dança moderna, com Ruth Saint Dennis e Ted Shawn, e durante a era da depressão norte-americana, trocou a dança moderna pela dança comercial, passando a fazer shows em nightclubs, posteriormente passando a trabalhar nos musicais da Broadway.
O jazz dance já era conhecido naquela época, mas faltava técnica apropriada, e Cole foi o primeiro bailarino desta modalidade a fundir as técnicas da dança moderna aos movimentos "populares" do Jazz. A técnica Cole trabalha com pliés profundos, explosão dos movimentos, isolação muscular, sincopação, deslizes em trabalho de solo, ou seja, características ainda hoje mantidas no jazz e comuns em todas as aulas e à todas as diversas técnicas que foram posteriormente criadas.
Cole também foi pioneiro em fundir à esta modalidade movimentos das danças orientais, seguindo a linha de seus professores em dança moderna da Dennishawn School. Jack coreografou diversos musicais na Broadway e também chegou à Hollywood, trabalhando como coreógrafo para cinema, em películas como Eles Preferem as Loiras, com Marilyn Monroe. Trabalhou também com outras estrelas da época como Humphrey Bogart, Rita Hayworth, Gwen Verdon, Matt Mattox e Mitzi Gaunor.
Hoje em dia o Jazz Dance já se ramificou em diversas vertentes como o Modern Jazz, Soul Jazz, Rock Jazz, Disco Jazz, Free Style, Lyrical, etc. Destas novas vertentes surgem diferentes técnicas, que tem grande influência do Ballet Clássico e da Dança Moderna, e alguns professores tem divulgado e desenvolvido seus métodos de fundamentação técnica para a formação de bailarinos cada vez mais ecléticos. Poucos sabem qual será o futuro e suas novas influências, mas o que se pode afirmar é que até hoje, o Jazz tem sido uma das formas mais importantes da expressão artística.
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