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MSN - shaide2008@hotmail.com |
Nome:Shaide Halim
Idade:???
Preferências:Dança, Música, Pin Ups e
Universo Vintage
Esse blog se auto-destruirá em 30 segundos... 30, 29, 28, 27...
Eu tentei... por meses a fio, mas o blog do UOL é muito ruinzinho! Não deu.
Portanto, estou voltando ao meu antigo lar, o BLOGSPOT. No entanto, com blog novo, endereço novo, casa nova e tudo o mais:
A proposta do blog também vai se expandir, abraçar novos temas... e lá seremos mais felizes! ^-^
Ah, eu transferi todos os arquivos daqui pra lá, portanto, nada está perdido, os textos antigos pOderão ser consultados lá mesmo, sem que se tenha que voltar aqui ao blog morto. Tadinho.
Vejo vcs lá!
Bitocas!
Pessoinhas,
hj estarei no programa Mulheres, na TV Gazeta, apresentado por Katia Fonseca, dando uma mini aulinha de dança indiana, e me apresentando com Nubia Ferro e Jamila Silva, bailarinas da Cia Lotus Dança Indiana Moderna.
O programa começa às 14 h e termina às 17 h, acho eu. Não sei ao certo em que momento aparecemos por lá, portanto, pra quem quiser assistir, é bom ficar ligado no programa do começo ao fim. ^-^
Esse post, de UTILIDADE PÚBLICA, é uma colaboração de Lua Samsara, professora aqui da escola e terapeuta corporal.
Parte 2, meninas! Como perceberam, na primeira parte só passamos 3 grupos musculares. O blog tem um limite de toques por post, portanto, tenhamos paciência. Tem exercício para 53 partes do corpo... portanto, vou intercalar os alongamentos com outros textos, ta? Mas prometo postar todos!
4. Musculatura Peitoral M. peitoral maior m. grande redondo. Função: Mover os braços para a frente e para baixo, de uma posição levantada. A. Tensionar B. Alongar Variando a distância entre as mãos, você pode exercitar outras partes da musculatura peitoral. Colocando as mãos em diferentes alturas, você também muda a área de alongamento. 5. Os Grandes Músculos Peitorais M .peitoral maior. Função: Mover o braço para a frente, da articulação do ombro.
De pé, com o corpo inclinado para frente, as pernas levemente separadas e as mãos bem afastadas uma da outra, segure-se numa barra ou algo semelhante. Pressione as mãos e os braços para baixo, com a maior força possível, e tente empurrar a barra para baixo, por 20 segundos. Sinta a tensão nos músculos peitorais.
Pressione lentamente o tronco para baixo, segurando-se na barra, com os braços esticados, por 20 segundos. Sinta o alongamento no peito. Você pode tornar o alongamento mais proveitoso flexionando os joelhos ligeiramente.
A. Alongar
Mantenha o antebraço na mesma posição de “A” e firme os pés no chão. Gire o tronco para fora e para a frente de maneira que o peito seja empurrado o mais possível para a frente. Sinta a tensão no peito, na parte anterior dos ombros. Fique nesta posição por 20 segundos.
B.Tensionar
De pé, apóie-se de lado no batente de uma porta e pressione sua mão ou o antebraço contra ele, com a maior força possível, durante 20 segundos.
Alternativa: Em vez de usar o batente de uma porta, você pode segurar-se numa barra; de pé, de costas para a barra, tente puxar a barra como se quisesse arrancá-la. Faça o mesmo se você utilizar uma rede.
Esse post, de UTILIDADE PÚBLICA, é uma colaboração de Lua Samsara, professora aqui da escola e terapeuta corporal.
São mais de 100 exercícios de alongamento... portanto, vai ficar dificil colocar de uma só vez! Vou dividir em capítulos e vou adicionando ao blog aos poucos, tá?
Façam bom uso... mas façam mesmo! Não adianta achar suuuuuuper bacana, mas ficar só na leitura, hein? ^-^
1. Músculos que movimentam o braço para a frente Músculo deltóide/porção ventral/m. peitoral maior. Função: Mover o braço levantado para a frente. A. Tensionar B. Alongar 2. Musculatura Peitoral M. peitoral maior & menor, m. CoracobraquiaL Função: Mover o braço para a frente e para dentro na articulação do ombro abaixá-los e mover o ombro para a frente. A. Tensionar B. Alongar Os dois exercícios acima podem ser feitos com um companheiro, taticamente. Fique de pé e apóie suas costas nas do companheiro. com as mãos um do outro, com os braços esticados para os lados. Primeiro tentem pressionar os braços para a frente com uma tensão muscular ativa. Depois, alonguem os braços esticados, separando-se um pouco um do outro, sem soltar as mãos. 3. Musculatura Peitoral M. peitoral maior. Função: Mover o braço para a frente (e para dentro) na articulação do ombro. A. Tensionar
Cruze as mãos atrás da nuca e segure-as contra a cabeça. O seu companheiro de exercícios segurará seus cotovelos enquanto você estiver pressionando-os para a frente, por 20 segundos.
Alongamento passivo, fazendo seu companheiro de exercícios puxar os cotovelos para trás e mantendo a posição por aproximadamente 20 segundos.
Com os braços estendidos para a frente, pressione as mãos uma contra a outra (com ou sem bola), com a maior força possível, por 20 segundos.
Estenda os braços para trás e para cima, de forma passiva, e fique nesta posição por 20 segundos. segurando-se numa rede. O alongamento também pode ser feito com ajuda de um companheiro de exercícios, que segurará seus pulsos.
Com os braços estendidos para a frente, pressione as mãos uma contra a outra (com ou sem o auxílio de uma bola), com a maior força possível, por 20 segundos.
B. Alongar
Fique de pé, de frente para o canto de um cômodo. Coloque as mãos (ou os antebraços) contra as paredes e deixe o corpo cair para a frente. Pressione o corpo para dentro de tal forma que você sinta a tensão na frente da caixa torácica. Fique nesta posição por 20 segundos.
A tensão “A” pode ser feita na mesma posição, no canto, como o alongamento. Porém não pressione o corpo de tão longe.
por Cylla Alonso - 07.06.2006
Antes que as gravações musicais fossem possíveis, a dança, o ritmo e a música, faziam parte de um contexto único, mantendo entre si uma relação intima, constante e ao vivo para alcançar um determinado objetivo.
As manifestações artísticas mais antigas, em geral circulares e tribais, concebiam que a relação entre o ritmo, feito por elementos corporais simples em grupo (como batidas dos pés no chão e palmas), a música produzida pela voz grupal em uníssono e os movimentos e gestos da dança, poderia produzir um padrão de energia tão poderoso que poderia influenciar as forças invisíveis que controlam a natureza.
Passada de geração para geração, a importância da união destes três elementos ao vivo já teve tanto prestígio, sendo utilizada para os mais diversos objetivos, que foi associada ao controle da natureza, aos dogmas religiosos, aos rituais de fertilidade, aos rituais de guerra e às celebrações de união, paz, vida e morte.
Com a tendência evolutiva natural, o ritmo ganhou tambores, a música ganhou instrumentos, a dança ganhou elaboração e a relação entre eles ganhou padrões cada vez mais sofisticados que, mais tarde, se tornariam rebuscados processos de comunicação que dariam continuidade ao processo natural de evolução.
Nas culturas antigas mais sofisticadas, os sentidos ritualísticos, religiosos e festivos transcenderam do sentido de manifestação comunitária, ao sentido de entretenimento de uma minoria para a maioria.
Desta forma, o sentido de união dos três elementos ao vivo pode chegar a protagonizar realidades humanas, históricas e espirituais, apoderando-se da visão e audição da platéia para transmitir seus argumentos através do som e do movimento.
Mais tarde, diferentes tipos de apresentações artísticas aconteceriam para diferentes públicos. Para a elite, as manifestações se apropriavam de um caráter suave e, dependendo da ocasião, até energético, através de temas como o amor, preferencialmente acompanhados pela bela e graciosa plasticidade e compostura de seus intérpretes. Para o povo, as apresentações ganhavam um caráter mais intimista, chegando aos sentimentos mais profundos de raiva e tristeza.
Num certo momento da história, a música para a elite tomou um caráter individual, sem a dança, com as apresentações instrumentais, vocais ou de música ambiente, desvanecendo inclusive os menores resquícios das marcações mais viscerais dos instrumentos rítmicos, sucumbidos pela sonoridade dos novos instrumentos melódicos e harmônicos.
No que se refere à dança neste momento da história, tanto os bailes, festas e apresentações da elite, quanto festas, danças e apresentações da plebe, sempre mantiveram uma relação de conjunto entre a dança, a música e o ritmo, ao vivo, como essência. Mesmo com o aparecimento das apresentações de dança clássica, a música, a dança e o ritmo coexistiam em harmonia na elite, já que os bailarinos eram acompanhados ao vivo por músicos e, mais tarde, por grandes orquestras nos grandes espetáculos de teatro. Porém, a música feita pelo povo, ou para o povo, conservou a energia latente dos instrumentos de percussão e as danças foram se tornando cada vez mais ritmadas.
Com o aparecimento do rádio, a música toma, mais uma vez, um rumo completamente independente da dança, embora a dança mantenha a essência da necessidade de sua relação pois, para dançar, havia a necessidade de ligar o rádio para ouvir e interagir com a música.
Eis que então surge o mercado fonográfico.
A gravação e conseqüente facilidade de reprodução de um trabalho musical tornou possível à dança, uma independência dos músicos, mas não da música em si, sendo um divisor de águas que promoveu inúmeras mudanças na relação entre eles.
A industria fonográfica trouxe novas possibilidades e formas de trabalho para os músicos, percussionistas e bailarinos. Mas, o quanto, e até que ponto, a perda da relação ao vivo entre estes elementos pode ter afetado o futuro do que poderia ser a relação entre eles hoje?
O Primeiro Passo
A dança contemporânea muda nossa relação com o corpo e com a vida. Até quem não quer virar bailarino pode investir na prática como uma forma de autodescoberta
Por Priscilla Santos
Reportagem da revista Vida Simples - Edição de Setembro de 2007
Mas, afinal, o que é dança contemporânea?
A maioria de nós consegue imaginar um bailarino de sapatilhas de ponta fazendo uma pirueta quando se fala em balé clássico, ou uma dançarina com uma sombrinha na mão realizando passos com a ponta do pé e o calcanhar quando o assunto é o frevo, por exemplo. Mas, quando se trata de dança contemporânea, a referência não aparece assim tão fácil. Pode ser que alguém tenha pensado num espetáculo do Grupo Corpo ou da Quasar Companhia de Dança, duas referências de dança contemporânea no Brasil. Mesmo assim, pode acontecer de você assistir a um espetáculo de cada uma dessas companhias e não ver sequer um passo comum. É que a dança contemporânea não é uma escola ou uma técnica específica, e sim um modo de pensar a dança que passou a ser desenvolvido em todo o mundo a partir da década de 70, depois de a dança moderna dar o pontapé inicial na quebra da hegemonia do balé clássico.
Ficou difícil? Pense na arte contemporânea como um todo. Hoje, é possível que você vá a uma peça de teatro em que os atores não tenham fala, a uma exposição em que os quadros não reproduzam a realidade. A dança contemporânea faz parte das artes contemporâneas, e todas essas artes se dedicam a falar das questões complexas e cheias de nuances de nosso tempo. Família, antigamente, era mãe, pai e filho. Hoje é o pai que casou com a mãe que tem filho de outro.
A dança contemporânea se dedica a falar das relações humanas, num mundo onde existe aids, casamentos que não duram a vida inteira, muita miséria e violência, afirma a crítica de dança Helena Katz.
O fato é que o mundo de hoje não é mais o mesmo de antigamente, as coisas mudaram. E a arte acompanhou essas transformações. Por isso, a dança teve que procurar novas abordagens. E de onde poderia partir essa dança que pretende falar das relações humanas senão do próprio homem? A dança contemporânea nos propõe uma investigação de nós mesmos através do corpo, nos convida a vasculhar cada detalhe para descobrir movimentos que expressem nossas emoções, dúvidas e pensamentos. E nos lança a questão: por que não encarar o corpo como uma forma de existir e de fazer trocas com o mundo? Assim, mesmo quem não pretende ser bailarino pode praticar aulas de dança contemporânea como uma forma de autoconhecimento.
Conhece-te a ti mesmo
Se quisermos nos expressar por meio do corpo, é preciso antes conhecê-lo. Saber o que existe lá dentro. Quais são as direções dos ossos, músculos e articulações, esmiuçar cada detalhe como uma criança que desmonta um brinquedo para ver como funciona. Em geral, mantemos o corpo adormecido. Somos criados dentro de certos padrões e ficamos acomodados naquilo, escreve o bailarino e coreógrafo Klauss Vianna (1928-1992), criador da técnica de consciência corporal no Brasil, no livro A Dança. Esses velhos padrões vão criando as couraças musculares, que nos impedem de explorar as potencialidades do corpo e ainda nos geram aquelas dorzinhas chatas. É o jeito torto de deitar para assistir TV ou o hábito de ficar sentado o dia todo. Assim, acabamos usando alguns músculos demais e outros de menos, criando tensões desnecessárias.
É curioso, no dia seguinte a uma aula de dança contemporânea (como as que fiz para escrever esta reportagem), sentir uma dorzinha num músculo que você nem sabia que existia, ou se dar conta de que sempre botou o esforço no lugar errado na hora de fazer um movimento simples como levantar a perna. Numa aula, o professor pode propor que você massageie seu pé (ou o do colega) enquanto explica o nome de alguns ossos, suas funções e por aí vai.
Pois a dança surge de nossos processos internos, ou seja, de como nossos músculos se movem, como os ossos se encaixam e como colocamos emoção em nossa massa. Daí a idéia de buscar a dança que existe dentro de cada um. Para isso, é preciso estar atento ao corpo, o tempo inteiro. Para Klauss Vianna, a aula de dança começa pela manhã, quando abrimos os olhos na cama. O aquecimento interno ocorre na rua, no chuveiro, no trânsito. Assim, mudar a posição do sofá ou o local de dormir dentro da própria casa são estímulos que geram conflitos e novas musculaturas em nosso cotidiano: espaços novos, musculatura nova, visão nova. E não é só levar a dança para o dia-a-dia ou vice-versa. Mais que isso: reconhecer que essa divisão não existe, pois o corpo que dança é o mesmo que corre, brinca, come, ama e sofre. Quanto mais levarmos em conta essa dimensão existencial revelada por meio do nosso corpo, quanto mais considerarmos as dúvidas e os questionamentos que nascem na relação com o mundo exterior, mais proveitoso poderá vir a ser o trabalho realizado e tanto mais rico o resultado obtido, escreve Klauss.
Lei da gravidade
A professora, bailarina e coreógrafa Tica Lemos nos convidou a deitar no chão e fechar os olhos no início da aula. É uma convocação a entrar no mundo interior, não para relaxar, mas para focar, afirma. Aos poucos, vamos cedendo à gravidade, percebendo nosso peso e sentindo cada vez mais os músculos e ossos. Você vai ajeitando o corpo no chão como o pé ao calçar o sapato. E parece que ele vai se prolongando, vão se abrindo nossos espaços internos. Afinal, temos volume, não somos um boneco chapado. Tirar proveito dessa tridimensionalidade nos faz ampliar os movimentos e ganhar consciência de nossos limites. Onde meu corpo começa e termina? Que volume ocupo no espaço?
Da mesma forma que se preocupa com a anatomia, a dança contemporânea usa as leis físicas, como a gravidade e a força peso de nosso corpo, a favor do movimento. É da natureza o centro da Terra convidar o centro de massa de um outro corpo. É a atração das massas. Antes de se ter um acesso mais claro a esse raciocínio, tendia-se a forçar demais a estrutura muscular, diz Tica Lemos.
Por isso, muitas coreografias de dança contemporânea, tanto nos palcos quanto nas salas de aula, têm seqüências em que os bailarinos se entregam ao chão ou brincam com quedas, deslizes, variações de níveis de altura: sentar, deitar, estar de pé e cair de uma só vez ao chão. É claro que isso não é regra. Como você já deve ter percebido, regras e padrões passam longe da dança contemporânea. O fato é que suas coreografias tendem a mostrar de forma mais ampla a relação do corpo com o espaço, aproveitando as diversas possibilidades dessa interação. E, para fazer isso com consciência, gerando movimentos harmônicos, expressivos, cheios de intenção e, ainda, sem se machucar, é preciso conhecer nossos apoios, alavancas e, sim, ter força muscular. Mas não a força vinda da repetição mecânica de exercícios, como na musculação, e sim a que surge de movimentos conscientes. O coreógrafo Ivaldo Bertazzo, criador do método de educação do movimento, diz que, se nosso corpo se constitui de vários pedaços, o movimento nos possibilita juntar as peças e criar unidade.
Ok, desse jeito, você deve estar pensando que é preciso virar PhD em consciência corporal antes de dançar a primeira coreografia. Pois sou prova viva de que não. A aula de Denise Passos, no Estúdio Ruth Rachou, em São Paulo, começou com seqüências de quedas e giros. Fui seguindo conforme meus limites e olha que não dei vexame. O segredo está mesmo em saber onde se apoiar e, ufa, quanto a isso a professora vai orientando e em aproveitar o impulso de um movimento para iniciar o seguinte. É como se você desse o play no CD e uma coisa fosse emendando na outra, diz Denise. O que deixa os movimentos mais fáceis e prazerosos.
Improvisação
Se a dança contemporânea não tem passos preestabelecidos, como surgem as coreografias? A partir da liberdade de experimentar. E, numa sala de aula, o ambiente nos ajuda a soltar as amarras. Sabe aquele espelho tradicional das salas de balé? Muitas vezes é coberto por uma cortina. Música? Nem sempre. O som dos pés batendo no chão, os bocejos e balbucios podem tomar seu lugar, nas aulas e nos palcos.
Ao som de canções de viola, a bailarina e coreógrafa Lenira Rengel nos propôs um exercício de improvisação: traçar linhas imaginárias no espaço e percorrê-las com alguma parte do corpo. Em pouco tempo, vi meu repertório minguar e comecei a rezar para que o exercício chegasse ao fim. Ninguém improvisa do nada, tem que ter elementos. Tudo bem que ninguém é nada. Todo mundo tem uma educação, uma história, mas vai ser limitado se não houver um repertório corporal, diz Lenira.
Para ampliar esse repertório é preciso pesquisar os movimentos. O professor nos dá elementos, mas nós também os coletamos no cotidiano. E isso acontece o tempo todo, até de forma inconsciente: é uma pessoa que você viu no ônibus levantando o braço de um jeito xis, a forma como você virou no sofá para pegar o controle remoto etc. É escutar o corpo, como ele se relaciona com o ambiente. Quando você deita no chão, percebe se ele está quente ou frio, sujo ou limpo. O que o gelado ou a sujeira causam no seu corpo? Ao acordar essa percepção, você tem uma fonte quase inesgotável para criar, diz a professora e bailarina Zélia Monteiro.
Novos pontos de vista
A dança contemporânea nos permite desalojar velhos padrões não só de movimento, mas de formas de pensar. É preciso deixar de lado certos valores para se espreguiçar no chão ou improvisar mesmo sabendo que, para quem olha de fora, você pode parecer ridículo. A reconhecida coreógrafa alemã Pina Bausch escolhe os bailarinos não pela técnica, mas pelo que pensam. Para isso, passa dois ou três dias com as pessoas antes de elegê-las ou não.
Angel Vianna, professora, bailarina e companheira de vida de Klauss Vianna, diria que talento tem muito pouco a ver com dançar. É ao experimentar livremente que as capacidades se afloram. Para nós, leigos, a dança contemporânea já valeria por nos devolver o corpo como forma de expressar nossa individualidade. É como disse Tica Lemos: Uma pessoa pode passar ao largo do corpo durante a vida, mas isso é quase uma mutilação da capacidade humana.
Livros de Referência:
A Dança, Klauss Vianna, Summus
Angel Vianna A Pedagoga do Corpo, Enamar Ramos, Summus
Esqueci de postar por aqui sobre a seleção de bailarinas para a Cia Halim. Acho... rsrsrs Então, vou contar o pós-seleção.
Durante o mês de junho fizemos alguns testes para novas bailarinas para a Cia Halim. Em julho começamos os ensaios, apenas 4, para debutarmos com a nova trupe esse fim de semana, no evento Tribal Y Fusion, em São Caetano do Sul. E de agora em diante, vocês verão por aí uma Cia Halim grandeeeee... agora somos 15 meninas! Eba! Assim que tivermos novidades, posto por aqui.
De toda forma, venho aqui agradecer as novatas pelo esforço e dedicação nesse pouco tempo, pela garra que estão demonstrando, pela amizade que está se iniciando no grupo nessa nova fase. Espero que possamos trabalhar juntas por muito tempo. E que essa seja apenas a primeira apresentação de muitas que se seguirão. Parabéns a todas por ontem!
Aproveito para registrar aqui o nome do atual elenco da Cia Halim:
Shaide Halim, Nubia Ferro e Jamila Silva (desde o início de tudo, em 2001, quando a Halim ainda estava nascendo!)
Fernanda Baccaro (na Cia desde 2003)
Lua Samsara, Maira Spilack, Khadife Dunya e Renata Rodrigues (que começaram a estagiar conosco no ano passado e agora fazem parte oficialmente da Cia Halim)
E as selecionadas em junho de 2009: Fernanda Halim (minha filhota... a caculinha da Halim, com 12 anos de idade!), Erica Gianne Martins, Tamy Torres, Cinthia Zimbardi, Carol Fonseca, Isis Mahasin e Millah Palhares.


Crianças,
1. estou atualizando quase que diariamente o meu site sobre Pin Ups. Façam uma visita. Novas fotos, novos vídeos e novos textos!
2. Começaram nossas aulas de sapateado americano. Uma delícia! Participem! Aos sábados, 17:30, com a professora Hanifah. A mensalidade é R$ 65,00. Para quem já é aluna do Estúdio de Dança Shaide Halim, fica por R$ 50,00. Venham fazer uma aula experimental. Vão se apaixonar, com certeza!
3. Além do sapateado, que é um curso novinho em folha aqui no Estúdio, temos novos horários de outros cursos:
Dança Indiana Moderna iniciante - quarta, 19 h (profa. Lua Samsara)
Dança do Ventre iniciante - sábado, 13:30 (profa. Renata Rodrigues)
C'est Vintage (can can, charleston, burlesque, jazz cabaré etc e tal) - terça, 20 h (profa. Shaide Halim)
Dança Cigana - sábado, 10 h (profa. Selena Reyes)
Dança Afro - segunda, 17 h (profa. Nubia Ferro)
Ballet Clássico Adulto iniciante - segunda, 18:30 e quinta, 19 h (profa. Nubia Ferro)
Além desses novos horários, temos outros. Então, segue a listinha:
Estilo Tribal - Terça, 19 h e Sábado, 11 h (Profa Shaide Halim)
Dança do Ventre intermediário - Segunda, 19:30 (Profa Shaide Halim)
Dança do Ventre Avançado - Quinta, 19 h (profa. Jamila Silva)
Dança Indiana Moderna - terça, 19 h e sábado, 12:30 (Profa. Shaide Halim)
Bollywood - sábado, 16:30 (Profa. Jamila Silva)
C'est Vintage - sábado, 14:30 (Profa. Shaide Halim)
Dança Cigana - quarta, 20:30 (Profa. Selena Reyes)
Zambra (Flamenco Árabe) - segunda, 21 h e sábado, 15:30 (Profa. Shaide Halim)
Dança Afro - terça, 10 h (Profa. Nubia Ferro)
4. E se TUDO der certo, até o final do ano estaremos com uma nova sala de aula! Assim, poderemos disponibilizar novos horários pra vocês! Loguinho teremos novas informações sobre isso, tá?
Beijocas
Pois é, meninas, o Miquelina é quase nossa segunda casinha atualmente. E como o Walter e a Luciana adooooooram nossas maluquices, agora tem C'est Vintage no Miquelina tambem! Além dos nossos shows mensais, que acontecem no segundo sábado de cada mês, as 19 h, com apresentações de danças diversas (dança do ventre, dança indiana, tribal, cigana, zambra, havaiana, jazz, entre outras), nossas carinhas felizes estarão por lá com nossa super membro da trupe, Hanifah, que além de dançar na C'est Vintage, agora também é cantora do Miquelina.
Sábado passado, dia 11 de julho, Hanifah estreou como atração oficial da casa, e eu e a Jamila fomos lá fazer uma gracinha no seu show. Foi tudo meio de improviso, não sabíamos as musicas (e C'est Vintage não é dv, não é tão facinho improvisar assim, na lata! srsrsrs) , mas deu certo. E nasceu mais um filho nosso no Miquelina.
E dia 08 de agosto, nosso próximo show, às 19 h, será temático, relacionado ao universo Pin Up. Musicas das decadas de 40, 50 e 60, além do visual da época. E às 21 h, quando a Hanifah começar seu show, estaremos por lá tambem. E MUITAS novidades ainda virão por aí.
Para relembrar os esquecidos, no final de outubro temos o show C'est Vintage, que reunirá as profissionais do grupo e mais todas as alunas do Estúdio Beladança. Será um espetáculo totalmente temático, com foco nos anos 20 a 60... Muitas plumas, muito glamour, musicas lindas que marcaram épocas, danças vintage, além de modalidades como dança do ventre, dança indiana, zambra... mas tudo isso, obviamente, contextualizado, seguindo o espírito do espetáculo!
E ainda em outubro (dia 04), a C'est Vintage, a Cia Halim Estilo Tribal e a Naya Padavi (grupo de tribal das minhas pupilas) estarão no Tribal Fest SP.
Por conta do trabalho com a C'est Vintage, e por ter retomado minhas atividades como professora de jazz, estou há tempos tentando voltar às aulas de ballet. Remanejei meus horários e as aulas de ballet aqui da minha escola pra conseguir voltar. E voltei!
É uma dor sem fim após as primeiras aulas (e minha professora é cruel! Dá-lhe Tia Nubia!). O corpo sabe ainda reproduzir os movimentos... a cabeça acompanha as sequencias, mas os musculos parecem que se esqueceram de como era aquilo tudo. E ballet tem um trabalho corporal muito puxado....demora um tempo para o corpo aprender, ou mesmo reaprender, a postura correta, o alongamento dos musculos, as posições de braços e pernas na forma exata. Enfim... o corpo, ao compreender tudo isso, se torna mais alongado, os movimentos mais limpos. E isso serve pra todas as danças.
Sou super a favor de ballet classico como base para outras danças. É visível até para o mais leigo dos leigos que um corpo que passou pelo ballet classico tem uma postura mais altiva, movimentos limpos e alongados, giros bem executados... seja lá qual dança a pessoa esteja reproduzindo.
Vou, aos poucos, relatar por aqui minhas novas experiências nessas aulas. Apesar da dor inicial do retorno (e que dor! ui!), já sinto uma grande melhoria nos meus movimentos. Já percebo, enquanto estou dando aula de outras modalidades, que meu corpo está respondendo aos apelos do ballet. Fora isso, as formas do corpo se modificam. O ballet tonifica os musculos de braços e pernas, alonga o tronco, faz com que fiquemos mais eretos. Além do mais, uma boa aula de ballet pode queimar algumas muitas calorias. É pauleira. Alongamento, barra, adagios (para dar força), alegros (agilidade), muitos saltos , muitos giros... ufa! Eu recomendo! Duas vezes por semana, pelo menos, para quem não vai ser bailarina profissional de clássico, já faz milagres!
Dança vigorosa popular, caracterizada por movimentos dos braços e projeções laterais rápidas dos pés. Originalmente era dançada pelos negros do sul dos Estados Unidos e recebeu o nome da cidade de Charleston, na Carolina do Sul. Dançavam em pistas de clubes, como o Cotton Club, ao som de uma orquestra formada exclusivamente por negros e freqüentada por uma elite branca.
As mulheres agitam os vestidos curtos, de cintura baixa e muitas franjas e, ao som do charleston, balançando os longos colares de cristal ou ondulando as plumas e os leques. As mãos cruzavam e descruzavam sobre os joelhos, levemente curvados cobertos por meias de seda em tons de bege, sugerindo pernas nuas, que se encostam e se afastam, seguindo o ritmo frenético. Num outro passo, levantavam as pernas e finalizavam com os agitos das mãos no ar imitando pandeiros.
O chapéu, até então acessório obrigatório, ficou restrito ao uso diurno. O modelo mais popular era o "cloche", enterrado até os olhos, que só podia ser usado com os cabelos curtíssimos, a "la garçonne", como era chamado. A mulher sensual era aquela sem curvas, seios e quadris pequenos, que soubesse se agitar na hora da dança e executar passos mais audaciosos com seus parceiros.
( do site www.caiozip.com)
O que importa mais quando vc pensa em dança do ventre? Ver uma boa dança, com qualidade técnica, com uma bailarina que lhe transmite emoção enquanto interpreta a música... ou ver uma mulher bonita, num traje brilhoso, saracoteando os quadris pra lá e pra cá, enquanto vc degusta uma esfiha no restaurante árabe? Ver alguém que gastou anos a fio (de estudo e de investimento financeiro) para subir no palco e emocionar a platéia, ou alguém que virou estrela da dança da noite para o dia, pq investiu seu $$ em um belo par de peitos, mas negligenciou seus estudos em dança, simplesmente pq isso é de pouca valia na hora de ser contratada pelas baladas árabes da vida?
O comercio desenfreado dentro do mercado de dança do ventre foi um dos motivos que me afastou, há alguns anos, dessa modalidade. Ao mesmo tempo, após ter me afastado, acabei descobrindo outros nichos menos significativos que o comercial, mas ao mesmo tempo feito por pessoas que querem lutar contra essa padronização e imposição que o mercado tenta nos empurrar goela abaixo. E isso me fez voltar à ativa, seguindo um caminho diferenciado, fora dessas regras mercadológicas que tanto conhecemos.
E é graças à essas pessoas, que contestam, que criticam, e que dão um jeitinho para conseguir seu lugar ao sol por caminhos alternativos, que a dança ainda sobrevive como movimento artístico. Porque o mercado é forte e se apresenta como a única chance para o sucesso, mas ainda bem que há bailarinos corajosos o suficiente para enfrentar essa batalha.
É importante percebermos isso como um problema, é importante desabafarmos, mas muito mais importante é fazer algo contra isso e à nosso favor. Vamos caminhando, cada um a seu modo, para fazer a dança valer. Há milhares de homens e mulheres que vivem à dança em sua plenitude. Seja lá qual for a modalidade, essas pessoas buscam o prazer da dança acima de qualquer regra. Opiniões divergem, sim, assim como os caminhos trilhados, mas o objetivo é sempre o mesmo: dançar, independente das regras que se criaram como verdades únicas e absolutas no mercado.
Então, vamos continuando em nossa batalha de levar arte ao público, cada um com sua modalidade. Nem só a dança do ventre vive de situações como esta, pode ter certeza. Toda a classe artística vem sofrendo pressão dos sindicatos e mercantilistas de plantão, os músicos em sua luta contra a OMB, artistas plásticos que não têm onde expor sua arte etc... vamos continuando nosso trabalho de formiguinhas, desviando das regras ou passando por cima delas com um trator, à nossa maneira, cada um pela sua estrada...
A troca de dicas, conhecer a idéia que os outros fazem da arte é um bom caminho para encontrarmos soluções e ajudarmos nossa classe: a de artistas (SEJA LÁ QUAL FOR A ARTE QUE FAÇAM!).
Pessoas... repostei o texto pq a Dee achou o autor e vi que o texto que eu tinha não estava completo. Portanto, está ele aqui, inteiro e com o nome do autor!
As pessoas geralmente se preocupam com a aparência física e se esmeram para mostrar uma certa elegância de acordo com suas possibilidades. Isso é natural do ser humano, tanto que muitas pessoas buscam escolas que ensinam boas maneiras. No entanto, existe algo difícil de ser ensinado pelo número reduzido de professores, menor ainda de alunos e muito pouco de praticantes e, que talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a Elegância do Comportamento. É um dom que vai muito além do uso dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais corriqueiras; quando não há festa, cerimonial, etiquetas, nem fotógrafos por perto: é uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas pessoas que escutam mais do que falam. E, quando falam, passam longe das maldades ampliadas de boca em boca.
É possível detectá-la também nas pessoas que não usam tom superior de voz. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É uma elegância que se pode observar em pessoas pontuais, que respeitam o tempo dos outros e seu próprio tempo.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece. É cumprir o que promete.
Não mudar seu estilo apenas para adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho, solidariedade e respeito. Sobrenome, cargos, jóias não substituem a elegância do gesto cordial e amistoso. Não há livro de etiqueta que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo e viver nele sem arrogância. A essência do comportamento não se aprende nos bancos da Universidade.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é, no mínimo, simiesco. As pessoas de comportamento elegante falam no mesmo tom de voz com todos os indivíduos, indistintamente, não se alteram por motivos banais ou fúteis.
Ter comportamento elegante é ser gentil sem afetação. É respeitar a natureza divina do nosso corpo. É ser amigo sem conivência negativa. Ser sincero sem agressividade. Apresentar sua verdade sem alterar sua serenidade. Ser cordial sem fingimento. É ser simples com sobriedade. É ter capacidade de perdoar sem fazer alarde. É superar dificuldades com fé e coragem, é encorajar todo irmão com a força da fé, do estímulo e da alegria nos momentos em que as forças parecem extenuar-se.
É saber desarmar a violência com mansuetude e alcançar a vitória sem se vangloriar. Enfim, elegância de comportamento é o grau que se apresenta, não é algo que se Tem, é algo que se É.
Mestre Rogério Rigoni
Esses dias uma aluna minha falou que fez um curso de dança dos sete véus onde foi ensinado que cada véu precisa ter uma cor específica e deve ser tirado numa ordem específica etc e tal. Mito ou verdade? Isso confunde um bocado a cabeça das alunas, não é mesmo? Ainda mais quem está começando na dança do ventre, uma dança que tem referências folclóricas, modernas, fusionadas, e nunca se sabe bem ao certo o que é tradicional e o que não é. Afinal de contas, mal sabemos a verdadeira origem da dança do ventre!!!!
Fato é que os véus não fazem parte do folclore oriental, e muito menos os sete véus. A história mais divulgada é a de que a dança se originou com base na lenda de Ishtar e Tamuz. Segue a lenda:
(do site: www.rosanevolpatto.trd.br)
“O mito diz, que ao obter a virilidade, ele (Tammuz) torna-se seu amante. Entretanto, ano após ano, ela o condena à morte. Na passagem do ano, época do Solstício de Verão, ele morre e vai para o submundo. Por ocasião deste evento, a deusa e todas as mulheres choram por ele, e isso ocorre no mês que tem seu nome, Tamuz ou Du'úzu.
Isthar e as outras mulheres ficavam de luto pelo deus Verde, até que ela empreendia a perigosa jornada para a Terra-do-não-retorno, a fim de salvá-lo. Lá suas jóias brilhantes lhe são retiradas, ao passar por cada uma das sete portas que guardam o lugar.
No final desprovida de suas jóias e forças deve lutar com sua irmã Alatu pela posse de Tamuz. Nesta versão, Isthar é considerada Rainha do submundo, pois como a Lua ela caminha por entre os mundos, o Superior e o Inferior. A perda de suas jóias em seis estágios é o equivalente à fragmentação do deus lunar e representa os seis pedaços noturnos que são tirados da Lua nas seis noites do último quarto.
Quando a senhora Ishtar faz sua descida ao Mundo dos Mortos, nenhuma paixão é sentida na terra e a esterilidade governa. Novamente, em seu retorno à terra, a vida e o amor são despertados”.
Em tempo: na referência à dança do ventre, cada véu simboliza uma das virtudes deixada por Ishtar em cada um dos portais até sua chegada ao inferno.
Os 7 véus apareceram pela primeira vez por obra e graça Oscar Wilde, que, romanceando a passagem bíblica onde Salomé pede aos rei Herodes a cabeça de São João Batista, criou uma dança com sete véus para sua personagem principal. As primeiras aparições desta dança foram confirmadamente baseadas no romance de Wilde, portanto, passaram loooonge do folclore oriental.
E a dança de Salomé original? Vejamos o que diz a Bíblia:
Marcos, 6:22:
“Entrou a filha da mesma Herodias, e dançou, e agradou a Herodes e aos que estavam com ele à mesa. Disse então o rei à menina: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.
E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino.
E, saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? E ela disse: A cabeça de João o Batista”.
Dançou.
Ponto.
Que dança?
Onde estão os véus?
Após o relato escrito de Oscar Wilde, Salomé virou ópera, dirigida por Richard Strauss. Na ópera, baseada no drama de Wilde, Salomé vestia trajes supostamente inspirados nas dançarinas do Oriente. Na verdade, nada mais era que uma visão ocidental do Oriente, tal e qual os figurinos utilizados pelas dançarinas de cabaré da Europa (baseado no que se imaginava que seria um traje oriental, carregado da sensualidade necessária para tal função... ou seja, bem diferente dos trajes tradicionalmente utilizados pelos povos orientais).
Wilde, por sua vez, afirmou que a inspiração para a sua Salomé veio após ver uma exposição das obras de arte do artista francês (orientalista! Ops!) Gustav Moreau.
Achei um texto na internet (não consta o nome do autor), que define um pouco da visão de Salomé por Wilde:
“ A Salomé de Wilde é uma personagem extraordinariamente dual. Por um lado, Wilde acreditava que ela era a incorporação da sensualidade — ele contou que, enquanto escrevia Salomé, passava por joalherias nas ruas de Paris e contemplava como adornar sua personagem. Esse mesmo ser sensual era, para Wilde, agressivo e cruel, com uma libido insaciável. Ele imaginava Sarah Bernhardt no papel principal (no fim das contas, a atriz foi impedida pela censura francesa de interpretar o papel). Mas Wilde também vislumbrava uma Salomé divina e pura —imagem provavelmente inspirada por uma pintura de Bernardo Luini. Para Wilde, Salomé tornou-se a combinação de um ser sensual, infantil e divino somado à força destrutiva da natureza”.
Quer algo que melhor retrate esse misto de pureza e sedução do que véus caindo do corpo da dançarina, desvelando seu corpo nu? Ah, sim, na Bíblia a filha de Herodias (que nem o nome é citado!), apenas dançou e ponto. Mas para Wilde, ela se despiu, mostrando aos poucos seu corpo, a cada véu que a desvelava.
E quer algo que combine mais com esse contexto do que a dança do ventre? Sensual e ingênua, cada uma dessas nuances se revela nos movimentos dessa dança. E afinal de contas, as histórias bíblicas se passaram lá no no Leste. Enfim... a imaginação de Wilde era fértil e nos presenteou com uma belíssima idéia para uma dança igualmente bela. Mas sem nenhuma conotação tradicional, folclórica...
Ok... saindo da literatura e voltando à parte prática da dança, a dança com véu como conhecemos hoje também é uma invenção não-oriental. Embora existam diversas danças com lenços (de diversos tamanhos e modelos) espalhados pelo Oriente e fazendo parte do contexto cultural de muitas regiões orientais, nenhuma delas se assemelha ao uso dos véus da forma belly dance que conhecemos atualmente, e que apesar de terem sido introduzidas no mundo da dança do ventre por uma bailarina egípcia, ela admite ter sido uma inspiração baseada na visão dos ocidentais, do processo orientalista, etc.
Portanto, as cores dos véus na dança dos sete véus é tão ocidental quanto à própria dança. Há quem as relacione com os sete chakras, com as cores do arco-íris, ou fazendo uso da cromoterapia etc e tal. Como uma dança não tradicional, ela abre espaço para que seja trabalhada ao gosto do freguês, não é? Eu costumo escolher as cores dos meus véus nessa dança de acordo com meu gosto pessoal, com a roupa que vou utilizar etc. Mas não acredito que existam regras para tanto.